O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu esta terça-feira uma resposta militar «com muita força» aos novos ataques do Irão contra bases norte-americanas no Médio Oriente, apesar dos apelos de países na região para suspender as hostilidades.

«Vamos atacá-los com muita força porque agora é a nossa vez. Eles sabem que isso vai acontecer», disse Trump aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca, depois de a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) ter reivindicado um ataque com mísseis balísticos contra uma base aérea norte-americana na Jordânia.

O ataque com mísseis, que segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM) foi interceptado na totalidade, ocorre num contexto de escalada de tensão entre os dois países. Na segunda-feira, os Estados Unidos e a Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra posições de grupos terroristas alinhados com o Irão no leste do Iraque, em resposta a mais de 30 ataques com drones dirigidos pela IRGC contra forças norte-americanas e infraestruturas energéticas sauditas nas últimas 72 horas.

Além do ataque na Jordânia, Washington suspeita que o Irão esteja por trás de um ataque com drone contra um navio norte-americano que transportava gás natural liquefeito para o Egito. Trump afirmou ter recebido informações sobre o incidente e garantiu que «será resolvido».

O Presidente norte-americano disse estar a receber pedidos, alegadamente do Irão e de aliados de Washington na região, para reduzir a tensão, mas assegurou que responderá ao mais recente ataque. «Eles dispararam. Agora é a nossa vez, e veremos se conseguimos chegar a um acordo em algum momento. Mas vamos atacá-los com muita força», reiterou.

A IRGC justificou o ataque como uma «resposta às ações agressivas do exército norte-americano» contra o Irão, e alertou que «enquanto continuarem as ameaças contra o Irão e as ações ilegais das forças norte-americanas contra os nossos interesses, a resistência continuará».

Os confrontos entre os dois países haviam sido suspensos no fim de semana, após quase duas semanas de ataques diários. Os EUA realizaram na quinta-feira a última vaga de bombardeamentos contra a República Islâmica, no 13.º dia consecutivo de ataques desde o colapso do cessar-fogo aceite pelas partes em junho.

As negociações para um acordo de paz definitivo, centradas no levantamento do bloqueio militar do Irão ao tráfego marítimo comercial no estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, continuam a ser mediadas por Omã, Qatar, Paquistão e Egito, com o envolvimento dos enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner. Trump afirmou na segunda-feira que as negociações têm «boas hipóteses» de produzir resultados, mas o Irão nega estar envolvido em quaisquer conversações diretas com os EUA.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã confirmou ter mantido conversas com os homólogos do Irão, Qatar, Kuwait, Arábia Saudita e Egito para debater um «acordo justo» sobre a navegação no estreito de Ormuz. No final de junho, Omã criou, com o apoio dos EUA, um corredor marítimo temporário isento de taxas para facilitar a passagem pelo estreito, mas o Irão respondeu com ataques a embarcações que utilizavam essa rota, levando Washington a intensificar os bombardeamentos.

Trump afastou preocupações sobre uma eventual escassez de munições, apesar de o jornal The New York Times reportar que a administração está preocupada com os ‘stocks’ cada vez mais curtos de sistemas de mísseis Patriot e outros equipamentos de defesa antiaérea.