O Brasil tornou-se, nos primeiros cinco meses do ano, o maior importador mundial de automóveis chineses, ultrapassando a Rússia, numa corrida às compras antes da entrada em vigor, em julho, de tarifas mais elevadas sobre veículos elétricos.
O Brasil importou automóveis chineses no valor de 5,2 mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros) entre janeiro e maio, um aumento de 146,9% face aos 2,1 mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) registados no mesmo período do ano passado, segundo dados das alfândegas chinesas.
O país sul-americano ultrapassou a Rússia, que importou 5 mil milhões de dólares (4,3 mil milhões de euros), e a Bélgica, com 3,8 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões de euros), tornando-se o principal destino mundial dos automóveis produzidos na China.
Os veículos elétricos e híbridos representaram 4,5 mil milhões de dólares (3,9 mil milhões de euros) das compras brasileiras, com abril e maio a concentrarem mais de metade desse montante, numa aceleração atribuída à antecipação da subida das tarifas de importação em julho.
O Brasil liderou igualmente as importações mundiais de veículos elétricos e híbridos chineses, à frente da Bélgica e do Reino Unido.
Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, as importações brasileiras de automóveis provenientes da China atingiram 5,35 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros) no primeiro semestre, mais do dobro do valor das compras de veículos provenientes de França.
Os híbridos ‘plug-in’ representaram pouco mais de metade desse total, com 2,79 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros).
O aumento das importações coincide com uma aproximação comercial entre Brasília e Pequim.
No domingo, o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o homólogo chinês, Xi Jinping, acordaram acelerar as negociações para um acordo comercial entre a China e o Mercosul, poucos dias depois da entrada em vigor de uma tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, à qual se seguiu uma nova taxa de 12,5% aplicada a dezenas de parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
Lula afirmou a Xi que o Governo brasileiro continua empenhado em diversificar os mercados de exportação, pedindo apenas alguma flexibilidade para setores considerados sensíveis.