O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta sexta-feira que não existem razões para a suspensão do espaço Schengen, mas reconheceu a necessidade de reforçar a presença das autoridades na fronteira marítima e terrestre do sul de Portugal, devido à pressão migratória na região.
“Acredito que não há razões para suspensão do espaço Schengen, mas somos também uma fronteira externa da União Europeia e há sim razões para reforçar a presença das forças de autoridade na fronteira marítima e terrestre no sul de Portugal”, disse o chefe do Governo.
Montenegro destacou que o executivo tem promovido “uma política humanística e com maior regulação dos fluxos migratórios”, garantindo que os imigrantes que chegam a Portugal tenham condições de emprego, habitação, saúde e educação. “Neste momento, o contacto que temos mantido com as autoridades quer espanholas quer marroquinas indica que está a haver um esforço de repatriamento das pessoas que entraram em território espanhol, mostrando que esse não é o caminho, mas sim entrar no espaço europeu de forma regulada”, acrescentou.
O primeiro-ministro sublinhou ainda a capacidade de Portugal em recuperar o controlo da situação migratória: “Podemos dar um exemplo à Europa da recuperação de uma situação que estava descontrolada em Portugal, ninguém sabia que éramos 11.4 milhões a viver em Portugal, ninguém sabia isso”.
Crise migratória em Ceuta: 60 mil entradas em 24 horas
Entretanto, o presidente do governo autónomo de Ceuta, Juan Jesus Vivas, revelou que cerca de 60 mil pessoas entraram na cidade espanhola de forma irregular nas últimas 24 horas, estimando-se 57 mortes durante esta crise. A cidade, que tem uma população de 83 mil habitantes, enfrenta “uma situação insustentável”, segundo Vivas.
“Para fazerem uma ideia, é como se em 24 horas 34 milhões de pessoas entrassem no território espanhol. Este número mostra que é impossível assimilar esta pressão”, afirmou, em declarações aos jornalistas. Foram resgatados do mar 34 corpos de pessoas que desde quinta-feira tentaram alcançar a cidade a nado, a partir de Marrocos.