A utilização de inteligência artificial (IA) no setor bancário tem vindo a transformar o setor, com os bancos que redesenham as suas operações em torno desta ferramenta, em vez de simplesmente a integrarem nos seus processos, a poderem atingir uma produtividade dez vezes superior e lançar produtos 90% mais depressa.
Estas conclusões são de um estudo da Bain & Company, onde se sublinha que a vantagem competitiva não está nos ganhos de eficiência, mas sim na velocidade. Hoje em dia os bancos que olham para a IA como uma alavanca de crescimento têm-se destacado dos que ainda estão em fase de planeamento.
Francisco Montenegro, partner da Bain & Company, afirma que “na banca, a IA não é uma camada que se acrescenta: é uma arquitetura que se reconstrói. Os bancos que hoje estão na vanguarda não são os que têm mais ferramentas de IA, mas são os que redesenharam os seus processos, a sua tecnologia e o seu modelo operacional a partir do zero, com a IA no centro”.
“Em Portugal, esta decisão está a ser tomada agora e o custo deste compasso de espera é mais alto do que a maioria dos conselhos de administração ainda reconhece”, refere.
A consultora salienta que as instituições financeiras fazem a transição para um modelo nativo em IA com base em cinco pilares, sendo eles as experiências e produtos agênticos, os fluxos de trabalho autónomos e em tempo real, a confiança e segurança integradas na arquitetura desde o início, a infraestrutura moderna de tecnologia e dados e a gestão de talento e inovação do modelo operacional.
Os resultados desta transição já começam a ser visíveis, com a NatWest, um banco do Reino Unido, a reduzir de mais de 60 dias para apenas um dia o desenvolvimento de campanhas. Já nos Estados Unidos, o Chime, uma fintech, que utiliza em 70% das suas interações de apoio ao cliente IA, conseguiu resolver, com chatbots, 75% dos casos sem intervenção humana.
A aposta em bancos nativos de IA exige uma elevada qualidade de dados, plataformas tecnológicas flexíveis e ágeis, assim como uma definição clara de onde terminam os sistemas determinísticos e começam os sistemas probabilísticos.
A integração das áreas de risco, legal e de compliance desde o início do desenvolvimento permite incorporar auditoria, segurança e controlo diretamente nos processos e nos agentes de IA.
“Um banco nativo em IA pode testar 100 vezes mais hipóteses do que um banco tradicional no mesmo período. Não é uma vantagem de eficiência: é uma vantagem de aprendizagem. E essa diferença compõe-se ao longo do tempo, como os juros”, indica.
“Os bancos portugueses que estão hoje a construir estas capacidades, daqui a três anos vão estar numa posição qualitativamente diferente”, conclui.