A Associação Comercial e Industrial do Funchal-Câmara do Comércio e Indústria do Funchal (ACIF-CCIM) manifestou na quarta-feira o apoio à candidatura do madeirense Bernardo Trindade à presidência da Confederação do Turismo de Portugal (CTP).

Numa altura em que vários países e regiões avançam com medidas para dar resposta ao overturism (turismo em excesso), o exemplo mais recente foi o de Barcelona, que avançou com uma medida que pretende limitar o número de visitantes à cidade espanhola durante um ano a 16 milhões. Estará Portugal e a Madeira com excesso de turismo ou este é um não assunto? O presidente da ACIF-CCIM, António Jardim Fernandes, e o candidato à presidência da CTP dão a resposta.

“Temos de estar satisfeitos por [os turistas] escolherem Portugal como destino de lazer”, referiu Bernardo Trindade. “Não excluímos a necessidade de regulação. Esse é um trabalho que deve ser feito”, acrescentou. O candidato à CTP salientou que, no caso da Madeira, essa regulação tem vindo a ser feita, por exemplo, nos percursos pedestres.

Contudo, Bernardo Trindade alertou que essa regulação deve ser feita em diálogo com a sociedade civil, o setor e os visitantes, sublinhando que não se devem construir “torres de Babel”. Para Bernardo Trindade, é necessário, por um lado, explicar os benefícios que o turismo traz enquanto atividade económica para o país e para a Madeira, trabalhando também com os residentes e com os turistas que visitam a região.

Já o presidente da ACIF-CCIM, António Jardim Fernandes, considerou que a regulação do destino deve ser feita em harmonia entre quem nos visita e os residentes. António Jardim Fernandes referiu que, nesta questão da regulação do turismo, por exemplo, deve ser explicado que a taxa turística serve para “valorizar” o produto e que a estratégia deve passar por “criar mais valor” sem que isso implique o aumento das dormidas e das visitas. António Jardim Fernandes salientou que, apesar do crescimento que o turismo tem tido na Madeira nos últimos anos, nesta altura o setor está a atingir um planalto.

Bernardo Trindade acabou por sugerir, como forma de reduzir eventuais animosidades entre visitantes e residentes, a mudança na forma como se comunicam certos investimentos. Por exemplo, se o equipamento que fosse financiado por verbas vindas da taxa turística fosse identificado como tal, isso poderia gerar nos residentes uma “sensibilidade diferente”.

Durante o encontro entre António Jardim Fernandes e Bernardo Trindade, ambos convergiram na necessidade de resolver os constrangimentos que afetam o Aeroporto da Madeira. Bernardo Trindade considerou que o Aeroporto da Madeira deve ter capacidade de resposta em períodos de inoperacionalidade. O candidato à CTP disse ainda que é preciso ter um plano B para o Aeroporto da Madeira, e o Aeroporto do Porto Santo atuaria como esse tipo de plataforma.

Para além de Bernardo Trindade, que atualmente lidera a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), está a concorrer à liderança da CTP Pedro Costa Ferreira, que é atualmente presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT).