A agência de notação financeira S&P Global Ratings confirmou as classificações de crédito soberano de longo e curto prazo de Cabo Verde em ‘B+’ e ‘B’, respetivamente, com perspetiva positiva. A decisão reflete a resiliência económica do arquipélago, sustentada pela recuperação do turismo e por uma política orçamental prudente.

A S&P justifica o outlook positivo com o potencial de melhoria na situação da dívida pública e da balança de pagamentos nos próximos 6 a 12 meses, num cenário de fluxos turísticos fortes e de prioridade governamental à disciplina fiscal. O turismo, que representa cerca de 25% do PIB, tem impulsionado um crescimento médio real superior a 6% ao ano entre 2023 e 2025.

A dívida pública cabo-verdiana desceu para 93,3% do PIB no primeiro trimestre, e a S&P prevê que a dívida líquida atinja 71,4% do PIB até ao final do ano. A estrutura da dívida é favorável, com a maior parte devida a credores oficiais. As despesas com juros deverão situar-se em cerca de 7% das receitas entre 2026 e 2029.

No entanto, a agência alerta para riscos orçamentais associados às políticas do novo governo do PAICV, incluindo a tarifa fixa de 500 escudos para viagens marítimas interilhas e de 5.000 escudos para voos interilhas, além da gratuitidade do ensino superior a partir de setembro de 2026. Estas medidas poderão custar entre 1,5% e 2% do PIB por ano, sem que esteja claro o financiamento.

A S&P admite uma subida do rating se o desempenho orçamental e externo superar as expectativas, mas poderá rever a perspetiva para estável se houver aumento significativo da despesa sem compensações. A próxima avaliação está agendada para fevereiro de 2026.