A empresa chinesa de comércio online Shein prepara a sua entrada em bolsa em Hong Kong. Segundo a Bloomberg, a empresa justifica uma avaliação entre os 22 mil milhões de dólares e os 25 mil milhões de dólares (19 mil milhões de euros e 21,6 mil milhões de euros). Isto representa, na pior das hipóteses, uma quebra de 78% face à avaliação de 100 mil milhões de dólares (86,5 mil milhões de euros) atingida em 2022.
O valor avançado pela Bloomberg fica também abaixo dos 30 mil milhões de dólares (25,9 mil milhões de euros) que alguns investidores esperavam, e abaixo dos 66 mil milhões de dólares (57,1 mil milhões de euros) que a organização obteve em 2023 numa ronda de financiamento. De acordo com a agência Reuters, a Shein espera uma avaliação entre os 30 mil milhões e os 40 mil milhões de dólares (25,9 mil milhões e 34,6 mil milhões de euros).
Documentos relativos à sua entrada em bolsa, divulgados pela CNBC, mostram uma desaceleração das vendas da empresa nos mercados norte-americano e europeu, refletindo já as tarifas dos EUA e o fim das isenções de minimis na União Europeia.
“Desde maio de 2025, começámos a repercutir a maior parte dos custos adicionais das tarifas, aumentando os preços no mercado americano. Desde maio de 2025, temos observado um impacto negativo na nossa receita líquida proveniente dos EUA no resto de 2025”, disse a empresa, citada pela CNBC. Entre 2024 e 2025, a receita nos Estados Unidos desceu mais de 3%, e no primeiro trimestre caiu 14% face ao ano anterior.
“Tal como no mercado americano, esperamos procurar uma vasta gama de opções, incluindo o aumento de preços na Europa para compensar o aumento de custos, e poderá haver um impacto adverso a curto prazo no volume de vendas na Europa. Embora seja cedo para avaliar, é possível que as tendências na UE estejam geralmente em linha com o impacto observado nos EUA ou o superem após a remoção da isenção de minimis”, acrescentou a Shein.
Os dados revelam que, em 2025, as vendas subiram 9% face ao ano anterior, abaixo do crescimento de 33% registado entre 2023 e 2024. No primeiro trimestre, a subida foi de apenas 2%. A rentabilidade da empresa caiu 39% entre 2024 e 2025, e no primeiro trimestre registou um prejuízo de 99 milhões de dólares (85,7 milhões de euros), uma descida de 125% face ao lucro de 395 milhões de dólares (341,9 milhões de euros) do mesmo período do ano anterior.