As exportações portuguesas de frutas, legumes, plantas ornamentais e flores recuaram 3,5% em valor e 5,9% em quantidade até junho, em termos homólogos, penalizadas pelas tempestades do início do ano, anunciou esta quinta-feira, 13 de agosto, a associação setorial Portugal Fresh.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) compilados pela Portugal Fresh – Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal, as vendas para os mercados externos somaram 1.226 milhões de euros no primeiro semestre, enquanto o volume de exportações totalizou 747.000 toneladas.
Em sentido inverso, as importações aumentaram 4,2% em valor e 2,8% em quantidade, acrescenta a associação em comunicado.
Como resultado, o défice da balança comercial do setor das frutas, legumes e flores (FLF) agravou-se para mais de 300 milhões de euros, acima dos 197 milhões de euros registados no período homólogo de 2025 e quase o dobro do défice de 2024 (178 milhões de euros).
“O motivo deste decréscimo está relacionado com os graves prejuízos causados pela sequência de tempestades que assolaram o país (Ingrid, Joseph e Kristin), que resultaram em culturas destruídas, estufas danificadas e sistemas de rega inutilizados”, refere a Portugal Fresh.
A associação já tinha alertado para as consequências previsíveis do comboio de tempestades, que “levaram a uma menor disponibilidade de produto com destino aos mercados internacionais e, consequentemente, uma quebra nas exportações, visível neste primeiro semestre”.
Citado no comunicado, o presidente da Portugal Fresh confirma que “os números do primeiro semestre já eram esperados” e destaca os “avultados prejuízos para os produtores, tendo em conta as ajudas mínimas por parte da União Europeia e do Governo”.
Embora considere também “preocupante” o agravamento da balança comercial, Gonçalo Santos Andrade acredita que até final do ano será possível atingir o marco dos 2.600 milhões de euros exportações atingido em 2025.
A Portugal Fresh destaca este ano como “muito desafiante” para os produtores e exportadores do setor agroalimentar nacional, lamentando a “falta de apoio” ao setor, sobretudo quando comparado com o principal mercado concorrente – Espanha – que “recebeu apoios aos fertilizantes e gasóleo agrícola para colmatar o impacto da guerra do Médio Oriente”.
“O nosso principal destino de exportação é Espanha que, dos 1.200 milhões exportados no primeiro semestre, pesa 37% do total (446 milhões de euros)”, nota a associação. Por outro lado, Espanha é também o principal abastecedor de frutas, legumes e flores do mercado nacional, com compras equivalentes a 870 milhões de euros, que representam 57% das importações.
“Contas feitas, a balança comercial com o nosso principal cliente internacional é negativa em mais de 400 milhões de euros”, salienta, sustentando que, “se já é desafiante competir no palco global, no mercado ibérico está a ficar praticamente impossível”.
A este propósito, Gonçalo Santos Andrade enfatiza que os produtores portugueses concorrem “com ferramentas financeiras muito diferentes dos produtores espanhóis”, num contexto em que os custos cresceram muito devido à guerra do Médio Oriente: “A diferença de apoios ao setor é abismal”, conclui.
Apesar da quebra no primeiro semestre, a Portugal Fresh encara o resto do ano “com confiança”, convicta que a produção nacional “reúne condições para retomar o seu ritmo habitual”.
“As exportações têm margem para recuperar até final do ano, sustentadas pela qualidade reconhecida dos produtos portugueses e pela procura que se mantém nos principais mercados de destino: Espanha, França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido”, sustenta.
Criada em dezembro de 2010, a Portugal Fresh tem 112 sócios que representam cerca de 5.000 agricultores, assumindo como missão “valorizar a origem ‘Portugal’ e as características dos produtos nacionais, para além de promover as frutas, legumes e flores nos mercados interno e externo”.