Os partidos PSD e CDS-PP formalizaram um pedido para que o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, seja ouvido na Assembleia da República sobre a controversa aquisição de três fragatas ao fabricante italiano Fincantieri, num negócio avaliado em 3,9 mil milhões de euros.
A polémica ganhou relevância após a divulgação de uma notícia que detalha os termos do contrato, suscitando dúvidas sobre a transparência e os critérios do processo de compra. Os partidos pretendem esclarecer os contornos do acordo, incluindo os custos associados, as contrapartidas industriais e o impacto orçamental.
Fontes parlamentares indicam que a audição deverá ocorrer em setembro, após o regresso dos trabalhos legislativos. O PSD e o CDS-PP querem também perceber o papel das forças armadas e da indústria naval portuguesa no projeto, bem como o cronograma de entrega das fragatas.
Este pedido surge num contexto de debate sobre a modernização das capacidades navais portuguesas, num momento em que a NATO reforça a sua presença no Mediterrâneo e no Atlântico. A compra à Itália, considerada estratégica, levanta questões sobre a dependência externa e a necessidade de investimento na indústria nacional de defesa.
O ministro Nuno Melo, por seu lado, defende que o negócio é vantajoso para o país, assegurando que as fragatas atendem às necessidades operacionais da Marinha e que o processo decorreu com total transparência. No entanto, os partidos da oposição e até setores da coligação demonstram ceticismo, exigindo mais esclarecimentos.
A audição parlamentar, se aprovada, será um teste crucial para o Governo e poderá influenciar futuras decisões na área da Defesa. Enquanto isso, a discussão continua nos bastidores, com especialistas a apontar a necessidade de uma estratégia de longo prazo para o setor naval e militar do país.