Comunicação mais simples, sem indicações quanto ao futuro, cinco task-forces para examinar e reformular como age a Reserva Federal e muita abertura de espírito para revolucionar o banco central: a primeira conferência de imprensa de Kevin Warsh como presidente da Fed foi repleta de novidades e alterações em relação ao seu sucessor, dando seguimento ao comunicado já bastante diferente do habitual. Ainda assim, mantém-se o compromisso com o mandato duplo, garante.

Na conferência de imprensa que se seguiu à decisão da Fed de deixar os juros inalterados pela quarta reunião consecutiva entre 3,5% e 3,75% esta quarta-feira, o novo presidente Kevin Warsh anunciou cinco task-forces para analisar como trabalha o banco central: comunicação, balanço, dados e o seu uso, produtividade e trabalhos, e o enquadramento da inflação. A ideia, explica, é melhorar o que pode ser melhorado, tornar a instituição mais preparada para o futuro e capaz de cumprir o seu propósito.

“Sei que a mudança nunca é fácil”, afirmou, deixando antever uma série de alterações à forma de funcionar da Fed. Sem querer dar prazos, até porque as task-forces ainda estão em processo de formação, o presidente sinalizou que provavelmente estará concluída até ao final do ano uma “revisão ampla” da forma de comunicar, mas as conferências de imprensa deverão permanecer.

“As conferências de imprensa são uma boa forma de comunicar com famílias e negócios”, argumentou. O Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) irá “debater uma melhor forma de comunicar”, sendo que o banqueiro garante ter “uma mente muito aberta”. Até a revisão de procedimentos estar concluída, os membros do FOMC são “encorajados a continuar a enviar as suas projeções”, completou.

Warsh reforçou a sua visão de que “a inflação é uma escolha” e garantiu que a irá combater, mas recusou dar forward guidance, ou seja, quaisquer sinais quanto às possíveis decisões futuras do banco central. Na mesma linha, o novo líder fala num compromisso “forte, unânime e claro” contra a pressão nos preços, “uma mensagem importante que acho que nos tem faltado nos últimos cinco anos e que vamos corrigir”.

A conferência de imprensa deu seguimento a um comunicado “mais curto, mais simples e que dispensa alguma da linguagem antiga” e “se foca unicamente nos factos”, explicou, antes de confirmar que o ‘dot-plot’ de projeções para a taxa terminal não incluía as suas próprias previsões.

Nas projeções macro, o FOMC aponta a uma mediana da taxa terminal para este ano em 3,8%, uma subida relevante em relação aos 3,4% antevistos no mais recente exercício de projeções, em março. Para 2027, a mediana ficou em 3,6%, ou seja, meio ponto percentual acima do esperado em março.