Aposto que não passou pela cabeça de Gary Keller e de Jay Papasan quando escreveram “The One Thing” que o princípio que defendem pudesse ser aplicado a um país. Mas pode. Deve, até. A premissa da “verdade simples e surpreendente por trás dos resultados extraordinários” é que os efeitos mais importantes não vêm de mais tarefas, mas de identificar e executar, em cada momento, a ação com maior efeito multiplicador.
Gary Keller é um empresário norte-americano do imobiliário que cofundou a Keller Williams, uma das maiores redes mundiais de mediação, presente em Portugal. Escreveu o livro baseado na sua experiência. Assina-o com Jay Papasan, antigo editor na HarperCollins e agora também empresário. Estruturam a ideia em cinco pontos: nem todas as tarefas têm a mesma importância, a concentração produz mais resultados do que a dispersão, o multitasking reduz a qualidade do trabalho, os grandes objetivos devem ser reduzidos a uma sequência de prioridades, a tarefa decisiva, a tal one thing, deve ter tempo reservado. Aplica isto às escolhas individuais, ao trabalho e à carreira, às empresas, produtos e organizações.
Agora, James Robinson e Nuno Palma aplicam um princípio idêntico a Portugal. Identificam que a “prioridade única” tem de ser pôr o Estado a cumprir os prazos em todas as áreas. Com a justiça à cabeça, claro. Simples. Uma sucessão de trabalhos hercúleos. Mas um foco, uma direção.
O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, e o da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, tinham-nos dito isto mesmo, que os prazos têm de ser uma obsessão. Mas têm de acudir a mais solicitações, todas urgentes. O que nos é dito agora é que o Estado deve organizar-se transversalmente para cumprir todos os prazos a que está obrigado, devendo todos os ministros assumir esse objetivo como a primeira responsabilidade dos setores que tutelam. É a prioridade, a única coisa, a tal que tem um efeito multiplicador. Com isso, garante-se previsibilidade, fundamental para o investimento. Ganha-se tempo, que é dinheiro. E impulsionam-se mudanças para cumprir o objetivo. E esta ideia do Portugal a horas vem de fora, com um selo, porque Robinson é Nobel da Economia e Palma é professor na Universidade de Manchester.
O grande risco, 32 anos depois do relatório Porter e da sistematização da ideia dos clusters, é que o estudo encomendado pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal e pelo IDL – Instituto Amaro da Costa, e patrocinado por 30 empresas, fique na mesma gaveta.