A Amrop, consultora global de executive search, renovou a sua liderança durante a Amrop World Conference 2026, realizada em Cascais, Portugal. O managing partner da filial suíça, Fredy Hausammann, foi eleito chair da entidade, sucedendo a Maria da Glória Ribeiro, que lidera a operação em Portugal.

Em entrevista ao Jornal Económico, Hausammann destacou a importância de promover uma liderança mais ética e uma governança robusta, especialmente num contexto de crescente complexidade geopolítica e tecnológica. “Acreditamos que o mundo precisa de líderes mais éticos. Porque todos os grandes acidentes aconteceram por causa da ética que não estava correta”, afirmou.

Perfil dos líderes globais em transformação

Segundo Hausammann, o perfil dos líderes de topo mudou significativamente nos últimos anos, impulsionado por três fatores principais:

  • Profissionalização da governança: regras mais apertadas e maior rigor nos conselhos de administração exigem maior especialização e um track record sólido.
  • Reputação e ética: a integridade tornou-se um ativo fundamental para os cargos de liderança.
  • Domínio tecnológico: todos os líderes precisam ser tech-savvy para compreender e aproveitar a tecnologia.

O novo paradigma: liderança sábia e inclusiva

O chair da Amrop defende que o equilíbrio entre liderança tradicional e moderna é a chave para o sucesso. A liderança tradicional, mais diretiva e hierárquica, ainda oferece orientação, enquanto a abordagem moderna promove inclusão e participação. “A receita é a mistura certa entre os estilos de liderança tradicionais e modernos”, disse.

Hausammann introduziu o conceito de wise leadership (liderança sábia), que assenta em três pilares:

  1. Responsabilidade de longo prazo: ir além do lucro imediato, considerando todos os stakeholders.
  2. Ética aplicada: especialmente no uso da tecnologia e nas relações humanas.
  3. Empatia: num mundo dominado pela inteligência artificial, o contacto pessoal e a compreensão mútua tornam-se ainda mais valiosos.

“A empatia, o contacto pessoal e a compreensão mútua são ainda mais importantes agora com a tecnologia. As pessoas também ficam cansadas ou saturadas com ela”, observou.

Globalização e complexidade

Desde que entrou na Amrop em 1998, Hausammann testemunhou o aumento da complexidade dos negócios. “O mundo inteiro era muito menos global nessa altura. A globalização mudou os requisitos. Os líderes precisam de ter um conhecimento muito sólido de todas as partes do mundo”, recordou.

Hoje, as tensões geopolíticas e as cadeias de abastecimento exigem que os líderes compreendam riscos, oportunidades e logística de forma integrada, evitando dependências excessivas.

Portugal: talento e localização estratégica

Embora não se considere um especialista em Portugal, Hausammann elogiou o mercado português: “Há muito talento, ótimas universidades, muitas pessoas com elevada qualificação. E a localização. Conseguiram atrair muitas empresas que têm locais de produção em Portugal.”

Estratégia para o mandato

Sobre o seu mandato, Hausammann traçou três prioridades:

  • Assegurar a qualidade da governança interna da Amrop.
  • Fomentar a liderança ética em todos os recrutamentos.
  • Responsabilizar a empresa pelo impacto dos líderes que coloca no mercado, promovendo uma liderança sustentável que torne “o local de trabalho um lugar melhor”.

“Temos a grande responsabilidade de ajudar a identificar e colocar alguns dos líderes mais importantes das nossas economias. Por isso, temos de assumir a responsabilidade de fazer recrutamentos que possam exercer uma liderança sustentável e ética”, concluiu.