A Bolsa de Lisboa abre a sessão desta terça-feira com uma desvalorização de 0,07% para os 9.127,48 pontos. Os principais índices europeus estão também no vermelho. Estados Unidos e Irão estiveram envolvidos numa nova ronda de ataques durante esta madrugada.

As maiores descidas na bolsa portuguesa vão para o Banco Comercial Português (BCP) que quebra 0,92% para os 1,02 euros, seguida pela Navigator que desliza 0,83% para os 3,12 euros, a Jerónimo Martins desce 0,79% para os 16,33 euros, e os CTT descem 0,79% para os 5,68 euros.

No vermelho está ainda a Semapa, a Teixeira Duarte, a Mota-Engil, a Corticeira Amorim, a REN, a Sonae, e a EDP Renováveis.

A negociar no verde encontra-se a Ibersol que sobe 0,88% para os 9,18 euros, seguida pela Galp Energia que avança 0,76% para os 20,01 euros, e a EDP que sobe 0,16% para os 4,52 euros.

No verde está ainda a NOS.

Europa abre no vermelho

As principais bolsas europeias estão a negociar no vermelho. O DAX (Alemanha) desce 0,41% para os 24.985,31 pontos, o CAC 40 (França) desvaloriza 0,67% para os 8.308,62 pontos, e o FTSE 100 (Reino Unido) desliza 0,17% para os 10.480,91 pontos.

O AEX (Países Baixos) quebra 0,08% para os 1.084,54 pontos, o IBEX 35 (Espanha) desvaloriza 0,72% para os 19.187,33 pontos, e o FTSE MIB (Itália) desliza 0,38% para os 52.606,50 pontos.

O euro está a subir 0,07%, face ao dólar, para os 1,13917 dólares e o euro está inalterado, face à libra, nas 0,85286 libras.

O petróleo está a ser negociado em alta com o brent a subir 2,69% para os 85,54 dólares e o crude valoriza 2,93% para os 80,43 dólares.

Nova ronda de ataques entre Estados Unidos e Irão

Os Estados Unidos lançaram nesta madrugada ataques contra o Irão, horas após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que Washington vai “restabelecer” o bloqueio ao Irão no Estreito de Ormuz e depois anunciar que irá cobrar taxas à navegação.

O anúncio de Trump de imposição de taxas próprias a outros navios pela passagem segura, subverte centenas de anos de política norte-americana de apoio à liberdade de navegação em todo o mundo.

O Irão respondeu com ataques dirigidos ao Bahrein, à Jordânia e a dois petroleiros associados aos Emirados Árabes Unidos que navegavam pelo estreito, matando um marinheiro e ferindo outros oito.

Os Emirados ameaçaram retaliar contra o Irão, o que poderá levar a nação que abriga Abu Dhabi e Dubai a voltar a entrar em conflito com Teerão.

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) afirmou ter atacado áreas em torno de Abu Musa, Bandar Abbas, Bushehr, Chahbahar, Jask e Konarak, visando “sistemas de defesa costeira, instalações de mísseis e drones e capacidades marítimas” iranianas.

O Irão reconheceu os ataques nessas áreas, mas não forneceu avaliações sobre vítimas ou danos.

“Estes ataques continuarão a impor um custo elevado às forças iranianas e a enfraquecer a sua capacidade de atacar civis inocentes e a navegação comercial no Estreito de Ormuz”, afirmaram as forças armadas norte-americanas. Em seguida, Trump referiu-se a estes bombardeamentos como “mais um ataque de grande envergadura”.

“Estamos a atingi-los com toda a força. E isto vai continuar, e vamos ver o que acontece”, disse Trump aos jornalistas no Salão Oval. “Estamos a neutralizar toda a sua capacidade ofensiva e a controlar o estreito. Estamos a restabelecer o bloqueio”, acrescentou.

Donald Trump também forneceu novos detalhes sobre a sugestão de que os Estados Unidos irão cobrar portagens aos navios que atravessarem o estreito, numa reviravolta após ter afirmado antes que isso não iria acontecer.

“Estamos a proteger uma região muito rica do mundo”, afirmou. “Estamos a gastar dinheiro. Por isso, o que fizemos foi garantir que seremos reembolsados pela proteção”, justificou.

Os Estados Unidos defendiam até agora que o estreito deveria permanecer aberto a todos, sem portagens — tal como acontecia antes dos ataques israel-norte-americanos contra o Irão em 28 de fevereiro.

Qualquer tentativa por parte dos Estados Unidos ou do Irão de cobrarem taxas violará as normas globais sobre a liberdade de navegação e aumentará as tensões, com eventuais perturbações económicas correspondentes, muito para além da região.

O Irão afirma ter o direito de gerir o tráfego através do estreito e, potencialmente, cobrar taxas, em conformidade com o acordo de paz provisório, o que os Estados Unidos contestam.

As forças armadas norte-americanas e a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas tentaram estabelecer uma rota através do estreito, ao longo da costa de Omã, que ficasse fora do controlo iraniano, mas o Irão atacou navios que utilizavam essa rota, alegando que os Estados Unidos estavam a violar o acordo de paz provisório.

Os Estados Unidos atacaram o Irão em resposta, o que provocou ataques iranianos contra Estados árabes aliados dos Estados Unidos.

A troca de ataques dos últimos dias lança dúvidas sobre o acordo de paz provisório. Washington tinha levantado um bloqueio que impôs em meados de abril como parte desse memorando de entendimento, que também previa a reabertura total do estreito.