Donald Trump anunciou esta quarta-feira que rejeita a proposta negocial apresentada pelo Irão e que não irá levantar o bloqueio naval imposto aos portos iranianos enquanto não for alcançado um acordo que inclua o desmantelamento do programa nuclear de Teerão.
A incerteza nos mercados aumentou, com o Brent a ultrapassar os 120 dólares nesta sessão.
Em declarações ao site Axios, o presidente norte-americano deixou igualmente claro que não pretende reabrir o Estreito de Ormuz nas atuais condições.
A posição de Washington surge depois de Trump ter cancelado, no passado sábado, as negociações que estavam planeadas no Paquistão, afirmando que o Irão “ofereceu muito, mas não o suficiente”. O presidente iraniano Pezeshkian respondeu que o seu país não aceitará “negociações impostas sob ameaças ou bloqueio”. Por sua vez, o secretário de Estado Marco Rubio sublinhou que Teerão pretendia manter o controlo do Estreito de Ormuz, o que classificou como “inaceitável”.
O impasse diplomático agrava uma crise energética global que já se arrasta há semanas. O fecho do Estreito de Ormuz interrompeu cerca de 20% dos carregamentos mundiais de petróleo, num choque de oferta que a Agência Internacional de Energia (AIE) classificou como o maior já registado.
Quanto ao crude de referência norte-americano, o WTI negoceia esta quarta-feira acima dos 106 dólares por barril, depois de ter aberto a sessão nos 99,59 dólares e atingido uma máxima intradiária de 107,65 dólares — o nível mais elevado em semanas. Os preços do crude sobem pela terceira sessão consecutiva, sustentados pela incerteza crescente em torno da oferta global.
A pressão sobre os mercados é reforçada por outras frentes: os EUA intensificaram a pressão sobre o Irão com potenciais sanções a refinarias chinesas com ligações a Teerão e a países que paguem taxas de trânsito para garantir passagem pelo Estreito. Além disso, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a sua saída da OPEP no próximo mês, invocando a necessidade de maior flexibilidade face às condições de mercado.
Os operadores de mercado aguardam agora novos sinais diplomáticos ou a publicação dos dados semanais do Departamento de Energia dos EUA para avaliar a evolução da oferta. Por ora, a palavra de ordem continua a ser incerteza.