O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou segunda-feira que o seu país vai criar um fundo semelhante aos utilizados pelos grandes exportadores de petróleo (como a Noruega, Angola ou vários Estados do Médio Oriente), para realizar investimentos, procurando tornar a economia canadiana menos dependente dos Estados Unidos. Este novo fundo soberano irá focar-se em investimentos em infraestruturas no país e será gerido como uma empresa privada – que estará aberta a investimentos privados.

“Este será um fundo do governo do Canadá, mas, mais importante, será um fundo dos cidadãos, será o seu fundo”, disse Carney em Otava. “Muitos países que são abençoados com recursos naturais, como a Noruega, já possuem fundos soberanos. O Canadá não o tinha até agora.” O primeiro-ministro relacionou a criação do fundo com os seus planos para grandes projetos de infraestruturas, como oleodutos, portos, novas centrais nucleares e uma linha ferroviária de alta velocidade.

“Pela primeira vez na história do Canadá, os canadianos não só contribuirão para a realização destes projetos, como também beneficiarão diretamente dos seus lucros, disse ainda, ao afirmar que os investimentos serão feitos em conjunto com investidores do setor privado e outros fundos.

Com uma injeção inicial de 25 mil milhões de dólares canadianos — cerca de 18 mil milhões de dólares dos EUA — o novo fundo canadiano terá uma dimensão muito inferior à da Noruega, que, agrega quase dois mil milhões de dólares e é o maior fundo soberano do mundo.

Também se diferenciará pela origem dos recursos. A Noruega deposita todas as receitas governamentais do petróleo naquela conta, mas, no Canadá, os recursos naturais subterrâneos pertencem às províncias, que recebem das companhias petrolíferas que os exploram. É neste contexto que, por exemplo, a província de Alberta, o centro da indústria de petróleo e gás do Canadá, criou um fundo soberano em 1976.

Ex-banqueiro de investimentos, Carney tem tentado angariar investimento direto estrangeiro para o Canadá – pretendendo agregar 730 mil milhões de dólares em uma década.