O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou nesta quinta-feira que tudo o que disse ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, “se mantém válido”, mesmo após os esclarecimentos prestados pelo governante em conferência de imprensa.
Na quarta-feira, enquanto decorria a conferência de imprensa do ministro sobre as polémicas que o envolvem, Carneiro declarou que transmitiu a Montenegro que a autoridade política de Neves “está fragilizada” e que devem ser avaliadas as condições do governante para continuar no Governo.
Hoje, após uma reunião com o conselho de administração do Hospital Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), na Amadora, Carneiro evitou comentar diretamente os esclarecimentos do ministro, preferindo centrar suas declarações em críticas às políticas do Governo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Perante a insistência dos jornalistas, limitou-se a dizer que “tudo o que disse ao primeiro-ministro se mantém válido” e que “por isso mesmo” o PS apoia a ida de Luís Neves à Assembleia da República para prestar esclarecimentos, como propôs o Chega.
“O que eu tinha a dizer disse ao senhor primeiro-ministro”, afirmou Carneiro, acrescentando que sua posição “foi clara para todos”.
Na conferência de imprensa realizada na quarta-feira, a primeira desde que surgiram várias polémicas sobre os seus mandatos à frente da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves afirmou que o transporte de um atrelado apreendido num processo de tráfico de drogas para uma construtora de Barcelos foi uma decisão sua e “um puro ato de boa gestão”.
O ministro também disse que pagou em numerário pelas obras no monte, “10 a 12 fins de semana, cinco mil euros de forma faseada”, e que foram emitidas faturas no Portal das Finanças. Quanto à não entrega da declaração única de rendimentos enquanto estava à frente da PJ, Neves alegou que “não recebeu qualquer notificação do Tribunal Constitucional para entregar”.