fusão

A reforma que prevê a passagem para um modelo centralizado de venda dos direitos televisivos da Primeira Liga é um passo estrutural necessário, mas não garante, por si só, maior criação de valor para o futebol português. A conclusão é de um comentário divulgado esta segunda-feira pela agência de rating Morningstar DBRS, que sublinha que o sucesso da medida vai depender da execução, do alinhamento entre clubes e da capacidade da Liga de aumentar o bolo global das receitas de media.

O documento destaca que, sem crescimento significativo das receitas agregadas, a centralização corre o risco de ser apenas redistributiva: os clubes de menor dimensão ganhariam maior estabilidade e previsibilidade financeira, enquanto os grandes poderiam enfrentar perdas face ao modelo atual, em que negociam individualmente contratos mais valiosos.

“A centralização é um passo necessário para Portugal, mas sozinha não assegura criação de valor. O sucesso vai depender da execução, do alinhamento dos stakeholders e da capacidade da liga de fazer crescer o pool total de direitos de media”, afirma Inês Fernandes, Assistant Vice President da área de European Corporate Rating, Asset Finance, da DBRS.

Entre os principais entraves identificados pela agência estão fatores estruturais do mercado português. A procura internacional pelos jogos da Liga é ainda limitada e a competição com as grandes ligas europeias dificulta a valorização dos direitos no exterior. Ou seja, mesmo com a venda coletiva, Portugal pode ter dificuldade em replicar os valores atingidos por Inglaterra, Espanha ou Alemanha.

A análise conclui que a reforma abre oportunidades para modernizar a comercialização do produto, melhorar a exposição da competição e atrair novos parceiros, mas alerta: se não houver estratégia comercial clara e ganhos de escala reais, o efeito prático será apenas uma nova forma de dividir o mesmo bolo.

A proposta de centralização dos direitos televisivos tem sido discutida há vários anos e é vista como essencial para aumentar a competitividade da Liga. O próximo desafio será transformar a mudança estrutural em crescimento efetivo de receitas para todos os intervenientes do ecossistema do futebol nacional.