O CEO do BCP, Miguel Maya, manifestou-se favorável à redução da taxa de esforço mínima (DSTI) para a concessão de crédito hipotecário, atualmente nos 50%. Em entrevista ao Programa Conversa Capital da Antena 1 e do Jornal de Negócios, Maya afirmou: “Olhando só para diminuir a taxa de esforço, acho muito bem”.
Segundo noticiou o Expresso, o Banco de Portugal estuda baixar o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 40% ou 45%, medida que visa conter o risco de incumprimento. Maya salientou que não pode pronunciar-se em detalhe sobre alterações ainda não formalmente comunicadas.
Na apresentação de resultados do BCP, o CEO já havia defendido que “financiar um cliente tem muito mais a ver com a sua capacidade de gerar rendimento para suportar o serviço da dívida (DSTI) do que com o facto de o financiamento corresponder a 90% do valor da casa (loan-to-value)”.
O crédito hipotecário do BCP em Portugal atingiu 22.296 milhões de euros a 31 de março de 2026, um aumento de 11,4% face ao ano anterior, impulsionado por incentivos estatais, especialmente a garantia pública para jovens até 35 anos. O plafond inicial da garantia foi totalmente esgotado, com o banco a receber um reforço de 150 milhões de euros.
Maya revelou que o valor médio dos créditos com garantia ronda os 218 mil euros e que o peso destes empréstimos representa 40% do total do crédito para habitação própria e permanente. “É uma boa medida e está a ser gerida com muito rigor”, afirmou.
Questionado sobre a possível saída da Fosun do capital do BCP, Maya respondeu que os acionistas estão satisfeitos com a performance do banco, que valorizou 87% em 2023, 69% em 2024 e 92,8% em 2025, e que a política de dividendos permite uma remuneração de até 90% do lucro.