Passou um ano desde que André Ventura proclamou o “fim do bipartidarismo”, mas os números do Parlamento revelam um cenário inesperado: o Chega é o maior aliado de PSD e PS para fazer aprovar propostas. De acordo com dados compilados pela Renascença, o partido de Ventura votou favoravelmente com o PS em 114 iniciativas parlamentares, enquanto com o PSD foram 82. Ou seja, o Chega viabilizou mais propostas com os socialistas do que com os sociais-democratas.
O líder do Chega, André Ventura, desvaloriza os dados, afirmando que “não passam de números, podiam ser exatamente o contrário”. Apesar disso, a aliança tática com o PS tem permitido ao partido de extrema-direita aprovar diversas iniciativas, especialmente em áreas como habitação, saúde e educação. Por outro lado, o PSD viu-se obrigado a negociar com o Chega para garantir a aprovação de algumas das suas propostas, como a redução do IRC e alterações no Imposto Único de Circulação (IUC).
O deputado do PS, Pedro Nuno Santos, comentou os números, afirmando que “a coligação com o Chega é uma realidade que temos de enfrentar”. Já o PSD prefere evitar comparações, sublinhando que “cada proposta é analisada caso a caso”. Apesar da retórica de confronto entre os partidos, os números mostram que o Chega se tornou um parceiro indispensável para a governabilidade, tanto para a esquerda como para a direita. Este fenómeno levanta questões sobre o futuro do sistema político português e a consolidação do Chega como força parlamentar determinante.