O retalho alimentar português registou uma intensificação na competitividade durante o primeiro semestre do ano, com o Lidl e o Pingo Doce a reforçarem a sua posição no mercado, segundo os dados da Worldpanel by Numerator.

Enquanto a insígnia alemã e a insígnia da Jerónimo Martins reforçaram as suas posições, o Continente estabilizou e a Mercadona continuou a aumentar a sua base de compradores.

O crescimento do Pingo Doce foi suportado pela valorização das cestas de compras através de dinâmicas promocionais. Enquanto o Lidl continuou a ganhar quota pelo aumento da frequência de compra e pela intensidade da relação com os seus clientes.

Já o Continente teve uma evolução mais estável depois de ter registado uma perda no primeiro trimestre. A Mercadona continua na sua expansão da base de consumidores, estando a beneficiar da abertura de novas lojas.

Marta Santos, country manager da Worldpanel by Numerator Portugal, afirma que “o mercado português continua a caracterizar-se por uma forte intensidade competitiva, em que já não basta atrair novos compradores para crescer. As insígnias que conseguem aumentar a frequência de visita, reforçar o valor da cesta e consolidar a relação com os consumidores são as que melhor conseguem sustentar ganhos de quota”.

As retalhistas têm optado por diferentes caminhos, enquanto umas privilegiam o valor gasto em casa ocasião de compra, outras apostam no aumento da regularidade das visitas às lojas.

O facto de as empresas estarem mais abertas às marcas de fabricantes, como é o caso do Lidl, traz benefícios. Através desta tática o Lidl tem vindo a reforçar a sua posição no mercado e demonstra uma proposta mais ampla para responder a diferentes missões de compra.

“O consumidor português continua muito racional nas suas decisões e distribui cada vez mais as compras por diferentes insígnias, em função da missão de compra e da proposta de valor. Este contexto obriga os retalhistas a competir simultaneamente em preço, conveniência, sortido, fidelização e experiência, tornando o mercado mais dinâmico e exigente”, acrescenta.

“Mais do que a leitura isolada das quotas, o que distingue cada insígnia são os seus motores de crescimento. Num mercado onde já não basta atrair novos compradores para crescer, ganha quem transforma escala e compradores em relações mais frequentes e mais valiosas”, refere.

Os dados referentes ao segundo trimestre vieram confirmar os dados relativos ao semestre, com Lidl e Pingo Doce a manterem uma trajetória de crescimento, enquanto o Continente consolidou a sua posição e a Mercadona continuou a aumentar a sua penetração.

“Para o segundo semestre, esperamos uma disputa igualmente dinâmica, decidida pela capacidade de cada insígnia para aprofundar essa relação com o consumidor”, aponta.