As taxas de juro do crédito à habitação em Portugal voltaram a subir em Março, pela primeira vez em mais de dois anos, num momento em que os preços das casas atingem o quinto máximo histórico consecutivo. A inversão de tendência aumenta o esforço financeiro das famílias, sobretudo das que ponderam comprar casa nos próximos meses.
A taxa de juro implícita nos contratos de crédito à habitação fixou-se nos 3,088% em Março, contrariando a trajectória descendente registada desde Janeiro de 2024. Nos créditos celebrados nos últimos três meses, a prestação média ascendeu a 700 euros, mais 15,9% do que no mesmo período do ano anterior.
A subida da Euribor explica grande parte deste movimento. O indexante a 12 meses, o mais comum nos contratos a taxa variável em Portugal, chegou a tocar os 2,845% no início de Abril, o valor mais elevado desde meados de 2024. Os mercados financeiros antecipam agora até duas subidas das taxas directoras do Banco Central Europeu (BCE) ao longo de 2026, num cenário marcado pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente e pelo risco de novo choque inflacionista.
Em paralelo, comprar casa em Portugal continua a bater recordes. Em Março, o preço mediano por metro quadrado ascendeu a 3.107 euros, um aumento de 12% face a Março de 2025 e o quinto máximo histórico consecutivo, de acordo com o índice de preços do idealista. A subida foi transversal a 19 das 20 capitais de distrito analisadas.
A Área Metropolitana de Lisboa mantém-se como a região mais cara, com 4.356 euros/m², seguida do Algarve (3.988 euros/m²) e da Madeira (3.811 euros/m²). O Centro continua a ser a região mais acessível, com 1.764 euros/m². A maior valorização anual foi registada no Alentejo, com uma subida de 20,5%.
Rita Sogalho, Team leader de Crédito Habitação no ComparaJá, considera que a conjuntura exige redobrada atenção por parte dos consumidores. “Estamos a viver um cenário que não víamos há dois anos: prestações a subir e casas cada vez mais caras. Para quem está a comprar agora, o esforço financeiro mensal pode ser bastante diferente do que era no início do ano”, afirma. A responsável aponta a comparação de propostas como factor decisivo: “Uma diferença de meio ponto percentual no spread pode representar dezenas de milhares de euros ao longo de 30 anos.”
A próxima reunião do BCE será determinante para perceber se a subida da Euribor é pontual ou se se consolida ao longo de 2026.