A Real Factory – Creative Business Hub, em Porto de Mós, acolheu nos dias 19 e 20 de maio a segunda edição das Factory Talks. O evento reuniu mais de 200 empresários, gestores, académicos e decisores políticos para debater a urgente necessidade de adaptação do tecido empresarial às transformações económicas, tecnológicas e geopolíticas mundiais.
Organizada pelo Município de Porto de Mós em parceria com a consultora criativa CO+K, a iniciativa promoveu dois dias de reflexão estratégica sobre competitividade, resiliência e cooperação territorial face às rápidas mudanças globais.
Durante as sessões, os especialistas defenderam a preparação de Portugal para a reorganização económica internacional, destacando a inovação contínua, a internacionalização e a retenção de talento. A transformação do mercado de trabalho e a escassez de profissionais qualificados dominaram as discussões, reforçando o apelo à aproximação entre os modelos de formação e as reais exigências da indústria.
“São as pessoas que criam a dimensão de uma empresa sustentável e voltada para o futuro”, sublinhou Jorge Vala, presidente do Município de Porto de Mós. O autarca acrescentou ainda que “inovar é fazer quando não é preciso”.
Na mesma linha, André Duarte Coelho, CEO da CO+K, apontou a flexibilidade como o maior ativo das organizações modernas. “O grande desafio hoje é haver disponibilidade para falhar. As empresas do futuro vão ser as que melhor capacidade terão para se adaptar, porque a realidade é que hoje vivemos no ‘caos’”.
A sustentabilidade foi abordada como um fator crucial de competitividade e posicionamento externo. O concelho de Porto de Mós demonstrou a sua robustez financeira através dos dados apresentados por Pedro Vala, vereador do Desenvolvimento Económico. “O nosso concelho é um dos que mais contribui para a balança comercial do país”, revelou o vereador. O responsável adiantou que o setor empresarial local se aproxima dos 1.000 milhões de euros de faturação, com as exportações a representarem cerca de 25% desse valor.
O programa contou com conferências e mesas-redondas dedicadas a temas como a Indústria 5.0, geopolítica, conectividade e financiamento. Além dos debates, o evento incluiu um “safari” industrial por três empresas do concelho e um jantar corporativo que contou com as intervenções de Gonçalo Regalado, CEO do Banco Português de Fomento, e de Pedro Pimpão, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.
O encerramento do encontro reforçou a importância do trabalho em rede. “As melhores ideias não nascem na genialidade individual, mas na cocriação”, concluiu André Duarte Coelho, assumindo o sentimento de dever cumprido nesta segunda edição.