O custo de manter um padrão de vida de luxo subiu 10,2% em dólares nos últimos 12 meses, com Singapura a manter-se como a cidade mais cara do mundo para particulares com elevado património líquido (HNWIs), segundo o Relatório Global sobre Riqueza e Estilo de Vida 2026 do banco privado suíço Julius Baer.
Zurique saltou três posições e passou a ocupar o segundo lugar do ranking, impulsionada sobretudo pela valorização do franco suíço face ao dólar, e não por aumentos de preços locais. O Mónaco entrou pela primeira vez no top três, sustentado pela força do euro e por preços imobiliários residenciais excecionalmente elevados. Hong Kong desceu para quarto e Londres caiu para quinto lugar, depois de ter estado perto da liderança em 2025.
O índice do Julius Baer mede o custo de um cabaz de 20 bens e serviços associados a um estilo de vida de elite em 25 cidades globais. Segundo o banco, a moeda — e não a inflação doméstica — foi o principal fator por trás da subida deste ano, com cidades ligadas a moedas fortes, como o franco suíço e o euro, a subirem no ranking, enquanto praças mais atreladas ao dólar perderam terreno.
Europa lidera subida de preços, Ásia-Pacífico ganha terreno
A Europa registou o maior aumento médio de preços entre as regiões analisadas, de 14,1% em dólares, impulsionado pela força do euro e do franco suíço. Zurique, Mónaco, Paris, Milão e Frankfurt subiram no ranking, enquanto Londres foi penalizada pela trajetória da libra, mais próxima da do dólar.
Na Ásia-Pacífico, região com cinco cidades no top 10 — Singapura, Hong Kong, Xangai, Sydney e Banguecoque —, os preços médios subiram 7,4% em dólares, abaixo da média global. Sydney foi a cidade que mais avançou no ranking, subindo seis posições para o oitavo lugar, beneficiando da força do dólar australiano.
O Dubai caiu para o 14.º lugar, mas o banco atribui a queda sobretudo à subida de outras cidades, e não a uma maior acessibilidade da cidade, uma vez que o dirham está indexado ao dólar. O Julius Baer sublinha ainda que a recolha de dados terminou antes do início do conflito com o Irão, pelo que o seu impacto não está refletido no estudo.
Pela primeira vez em três anos, nenhuma cidade americana figura no top 10 global. Nova Iorque continua a ser a mais bem posicionada da região, seguida de São Paulo, que subiu para 12.º.
Ouro impulsiona joalharia e relógios
O estudo destaca ainda o impacto das matérias-primas: o preço do ouro mais do que duplicou desde 2024, contribuindo para subidas de 16,4% na joalharia e 15,5% nos relógios. No conjunto, os bens de luxo encareceram em média 12,3%, mais do que os serviços — uma inversão face aos anos anteriores.
“A moeda volta a estar em primeiro plano, mas é a interação entre moedas, ativos e comportamentos que define a verdadeira história”, afirmou Christian Gattiker, diretor de Investigação do Julius Baer, citado no comunicado.
Geopolítica pesa nas decisões de investimento
O inquérito complementar do banco, realizado junto de HNWIs em cinco regiões, mostra que entre 82% e 95% dos inquiridos manifestaram preocupação com a geopolítica. Pelo menos um em cada três já alterou a origem geográfica de algumas compras de luxo, e mais de metade pondera viajar para o estrangeiro para contornar tarifas.
Ao nível dos investimentos, a maioria dos inquiridos ajustou as carteiras face aos riscos macroeconómicos, reforçando estratégias defensivas como metais preciosos, diversificação geográfica e maior liquidez. Os investidores da Ásia-Pacífico lideram essa adaptação: 73% aumentaram a diversificação, 53% reforçaram posições em metais preciosos e 46% aumentaram a exposição geográfica.
A recolha de dados do índice foi concluída no final de fevereiro, e o inquérito no início de março de 2026.