De acordo com o 2026 Global AI Report da NTT DATA, apresentado no Seguros Summit 2026, as empresas portuguesas estão a ficar para trás na aplicação de Inteligência Artificial (IA) em áreas que geram receita direta. O estudo revela que, embora 54% das organizações nacionais tenham uma estratégia de IA definida ou em curso, a maioria concentra os seus esforços na otimização de processos internos, em vez de aplicar a tecnologia em áreas de interação com o cliente e geração de receita.
Nuno Costa, Strategic Value Principal Director da NTT DATA Portugal, sublinhou que o período de experimentação com a IA terminou, dando lugar a uma necessidade urgente de industrialização e integração massiva nas organizações. O estudo global, que envolveu mais de 2.300 decisores em 34 mercados, identificou que apenas 15% das organizações mundiais são consideradas líderes na implementação de IA. Estas empresas têm uma probabilidade 2,5 vezes superior de registar um crescimento de receita acima de 10% e são 3,5 vezes mais propensas a atingir margens de lucro iguais ou superiores a 15%.
No panorama português, o nível de investimento significativo planeado para os próximos dois anos é de apenas 31%, abaixo dos 45% apresentados pelas empresas tecnologicamente menos avançadas a nível mundial. No entanto, o estudo revela uma base emocional favorável, com 78% dos colaboradores portugueses a demonstrarem um sentimento positivo e de confiança perante a IA.
No setor dos seguros, a tendência é de evolução da automação básica para a agentificação, com sistemas inteligentes capazes de interpretar contextos e tomar decisões autónomas em processos complexos, como a gestão de sinistros e a avaliação de risco em tempo real.