Os espaços de cowork têm ganho cada vez mais adeptos. Em vez da empresa ter de pagar uma renda ao senhorio e ter de se preocupar com toda a logística, desde internet à limpeza do espaço, as empresas tendem a optar por pagar uma renda a um destes espaços e não ter mais nenhuma preocupação.
A IDEA Spaces nasceu com este mote, facilitar o “trabalho” às empresas. Chegou em 2014 ao Parque das Nações, numa altura em que não se falava de trabalho em regime híbrido, mas mesmo nessa altura conseguiu encher o espaço e teve “lista de espera”, referiu ao Jornal Económico (JE), Jacinta Barreto, business developer do IDEA Spaces. Atualmente a empresa já conta com quatro espaços em Lisboa (Parque das Nações, Saldanha, Palácio Sotto Mayor, São Sebastião) e com 400 empresas.
Segundo Jacinta Barreto, o negócio funciona através da diversificação: “Além dos produtos que oferecemos aos nossos clientes, que são os mesmos que os nossos concorrentes vendem, desde os gabinetes privados, espaços para trabalhar, phone boths, o core business da IDEA Spaces é as ferramentas que damos aos nossos clientes para poderem investir em nós. Isso faz com que estejamos cheios.” A empresa fica responsável por tudo, desde organizar team buildings a dar internet super-rápida, permitindo que “o cliente só tem de se sentar, trabalhar e ser produtivo”.
O IDEA Spaces consegue ainda ajudar na contratação de pessoal, fazendo a ponte entre empresas e através de uma aplicação onde os clientes podem partilhar novidades, lançar desafios e fazer networking. Para além disso, a empresa criou uma forte comunidade, com eventos como jogos de futebol ao fim do dia ou um “dia de copos” após o trabalho. “Acho que esta é a parte mais importante, é a parte empática que nós todos queremos”, salientou Jacinta Barreto.
O mercado, muito direcionado ao trabalhador estrangeiro, começa a ter alguma procura pelo trabalhador português, principalmente depois da pandemia. Na opinião de Jacinta Barreto, o cowork não vai “substituir o arrendamento tradicional”, mas “não é só uma coisa da moda”. A empresa, que recebeu a certificação Great Place to Work Portugal em março deste ano, pondera expandir para outras cidades nacionais e internacionalizar, embora ainda não haja nada concreto.
Empresas como a Zephyr Mortgages, Shiftify e Loka destacam a flexibilidade, a modularidade e as oportunidades de negócio como principais vantagens. Hélder Constantino, da Zephyr Mortgages, sublinhou que “o custo não é tudo” e que “as oportunidades de negócio que surgem pelo simples facto de partilharmos um espaço com outras empresas têm um valor que é difícil de quantificar”.