
O Gabinete do Representante do Comércio dos Estados Unidos (EUA) apresentou uma proposta que prevê tarifas adicionais que podem ir até 12,5% sobre importações de 60 economias devido à sua “falha em proibir” a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Tal será feito usando a secção 301 da Lei do Comércio de 1974.
A BBC refere que a lista de 60 economias inclui o Reino Unido, a União Europeia (UE), o Canadá, a Índia e o Japão.
Estas tarifas surgem depois de ter sido aberta uma investigação, em março, pelo Gabinete do Comércio norte-americano, sobre 60 parceiros comerciais, tentando determinar se estes falharam em agir para proibir o trabalho forçado.
O relatório, refere a BBC, chegou à conclusão que 54 países “falharam em impor uma proibição legal à importação de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado e em fazer cumprir eficazmente tal proibição”. E outros seis, referindo-se ao Canadá, União Europeia, Equador, Indonésia, México e Paquistão, “falharam em fazer cumprir eficazmente uma proibição de importação de produtos provenientes de trabalho forçado”.
Tarifas variam entre 10% e 12,5%
A ideia norte-americana é avançar com uma taxa de 10% para as economias que adotarem uma proibição total ou parcial do comércio de produtos que recorrem a trabalho forçado e as restantes economias seriam atingidas por uma taxa de 12,5%.
As tarifas de 10% incidiriam sobre o Canadá, União Europeia, Reino Unido, Indonésia, México, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, El Salvador, Guatemala, Malásia e Taiwan. E os restantes 45 países, onde estão a China e a Índia, teriam uma tarifa de 12,5%.
O gabinete, salienta a CNBC, sugeriu também a aplicação de um mecanismo que permitiria a entrada em território norte-americano de um determinado volume de importações de vestuário e têxteis provenientes de algumas economias com taxas reduzidas.
“A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em lidar com a importação de produtos fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isto cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais. Não toleraremos mais esta disparidade”, disse o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em declarações transcritas pela CNBC.