Estamos a chegar ao fim de Julho, e por esta altura é normal que a qualidade dos temas que são trazidos à discussão pública e o seu impacto real na vida do País comecem a acusar os efeitos da proximidade das férias.
Este ano a situação não é muito diferente de outros. Para além do desempenho da selecção nacional nos EUA e da substituição do seleccionador, como o tema cíclico dos incêndios ainda não assumiu em Portugal a relevância do costume (apesar de, devido aos picos de calor que se verificaram, a área ardida ser superior à média dos últimos anos), parece que as atenções se concentram em dois temas: o processo de avaliação dos exames do ensino secundário e a construção da piscina da casa de férias do ministro do Interior.
Na minha opinião, o primeiro resulta da vontade do Ministro da Educação de produzir resultados rapidamente. Nada tenho a opor à intenção de simplificar e informatizar procedimentos que podem realmente vir a resultar em ganhos de eficiência e redução de custos. Ao contrário, parece-me louvável. Mas é bem sabido que os processos de informatização devem ser preparados e testados com rigor antes de os sistemas serem postos em produção, sobretudo quando envolvem a digitalização de grandes volumes de documentos que é necessário que sejam rapidamente trabalhados e que os resultados desse trabalho sejam divulgados a um público disperso dentro de um prazo relativamente curto. Os erros cometidos no processo podem acarretar consequências sérias para os destinatários da nova informação produzida.
Aparentemente, neste caso a preparação terá sido sacrificada face e essa vontade de mostrar resultados. Ou seja, terá sido um problema criado pela forma como a decisão foi tomada, involuntariamente, é certo, mas muito real e perfeitamente visível. Agora, as suas consequências terão de ser avaliadas rapidamente, tendo o Ministério uma obrigação pelo menos moral de tanto quanto seja realmente possível tomar medidas de remediação, para que da situação não resultem situações de dano ou injustiça que deviam à partida ter sido evitadas.
O que me pareceu errado foi a forma como o Ministro tentou gerir a situação, aumentando a pressão sobre o sistema para conseguir publicar os resultados dos exames, mesmo com múltiplas falhas que estão agora a ser identificadas, e que continuam a evidenciar potencial para criar o efeito sistémico que pretendeu evitar. Pode ser que na realidade o esforço que se fez venha a reduzir o impacto desse efeito sistémico, mas o mal está feito.
O segundo tema tem uma natureza substancialmente diferente. O problema está na forma como a situação concreta é descrita, tendo aqui a subjectividade um papel muito importante. Na realidade não sabemos se o Ministro está a construir uma piscina ou um tanque, ou se as obras que estão a ser feitas estão ou não sujeitas a licenciamento, e se o processo de contratação do empreiteiro está ou não conforme as regras. Pode ser que tudo esteja correcto. Mas também pode ser que não esteja. Só o saberemos quando o Ministro quiser prestar esclarecimentos, se entender que o deve fazer. Mas enquanto não os prestar, está lançada uma suspeição, e a suspeição dá origem a uma percepção de culpa por causa do famoso precedente da mulher de César, e o mal está feito.
São dois casos típicos de Verão, a que se vem somar mais um episódio da verdadeira telenovela em que se transformou o tema dos preços dos combustíveis. É normal. É o que nos mantém interessados nesta altura do ano.