O INE apresentou novos números, com a população a atingir um novo máximo de 11,4 milhões em 2025, com uma subida de 113% do número de imigrantes entre 2021 e 2025, para 1,6 milhões. Em 2016, recebíamos cerca de 35 mil imigrantes por ano e estes totalizavam 392 mil, representando 3,8% da população total, pouco mais de metade da média da UE.
Enquanto na Europa a imigração era um dos temas políticos mais quentes e um dos maiores estímulos ao crescimento da extrema-direita, segundo o Eurobarómetro, em Portugal a imigração era a última preocupação (a 10ª, para ser mais exacto) dos cidadãos e não havia um único deputado daquela área política no parlamento. A partir de 2017, com a mudança da lei, com a redução da exigência para a mera ‘manifestação de interesse’, deu-se uma explosão de entradas, e a proporção dos estrangeiros nos residentes na população atingiu os 14%, quase o dobro da média comunitária.
Em relação a esta questão tem surgido, com frequência, o recurso à técnica do espantalho, que consiste em inventar uma tese caricatural (o espantalho), que quase ninguém subscreve, que é muito fácil de criticar. Neste caso, a tese do espantalho é que há quem defenda que não deveria haver nenhuma imigração.
Esquecendo o espantalho, talvez fizesse sentido aumentar um pouco o número de imigrantes, mas tinha que ser o total descontrolo que se verificou? Sem qualquer preparação do país na habitação, saúde, educação, etc.? Em termos políticos, o tema da imigração ganhou um enorme protagonismo, o Chega passou de zero para 60 deputados, e o PS, que ainda há pouquíssimo tempo era receado como partido hegemónico do sistema, sofreu a humilhação histórica de cair para o terceiro lugar na AR.
Politicamente, era difícil fazer pior, e o mais notável é que o partido mais castigado foi o principal responsável por esta imprudência (para ser simpático). Isto é uma saudável novidade, já que o único responsável pela vinda da ‘troika’, o mesmo PS, conseguiu escapar entre os pingos da chuva.
Circula por aí a fantasia de que os imigrantes vêm salvar a segurança social. Ora cerca de metade das famílias portuguesas não paga IRS e, dadas as qualificações e salários dos imigrantes, é seguro dizer que muito mais de metade deles também não paga IRS. Como é possível imaginar que os imigrantes, a esmagadora maioria dos quais está isenta de impostos sobre o rendimento, vai salvar a segurança social?
A revisão em forte alta da população poderá conduzir a uma revisão ligeira de aumento do PIB e a uma forte revisão em baixa do PIB por habitante. Ou seja, quando dispusermos dos novos indicadores actualizados, tomaremos consciência de que estamos mais pobres. Talvez não tanto em termos absolutos, mas certamente em termos relativos, comparados com os chamados países do alargamento, que têm feito grandes progressos, de forma consistente. Isto aumenta a necessidade de reformas que aumentem o nosso potencial de crescimento, tão prometidas, mas que tardam em aparecer e, sobretudo, em produzir resultados.