
A ASML, fabricante holandesa de equipamentos para semicondutores, consolidou a sua posição como a empresa mais valiosa da Europa, atingindo uma capitalização de mercado de 695,25 mil milhões de dólares (608,37 mil milhões de euros) a 17 de junho de 2026, segundo a análise da BestBrokers.
O valor em bolsa atualizado à data de hoje, terça-feira, dia 14 de julho, é de 612,23 mil milhões de euros.
A empresa registou ainda o segundo maior crescimento anual entre as mega-empresas a nível global, com um aumento de 136,85% no seu valor de mercado, apenas superada pela Samsung, segundo a BestBrokers.
De acordo com um relatório recente da plataforma de pesquisa de investimentos BestBrokers, que analisou 97 empresas com capitalização de mercado superior a 200 mil milhões de dólares, a ASML destaca-se como um motor crucial na cadeia de fornecimento de chips de inteligência artificial (IA), refletindo a confiança dos investidores no setor tecnológico.
O estudo revela que, das 97 mega-empresas analisadas, 15 são europeias, totalizando um valor combinado de aproximadamente 4,5 biliões de dólares (cerca de 3,87 biliões de euros). Estas empresas distribuem-se por setores como o farmacêutico, bens de luxo e tecnologia.
Entre as maiores empresas europeias por capitalização de mercado a 17 de junho de 2026, a ASML (Países Baixos, Equipamento para Semicondutores) lidera com 695,25 mil milhões de dólares (608,37 mil milhões de euros). Seguem-se a Arm Holdings (Reino Unido, Semicondutores) com 423,32 mil milhões de dólares (370,42 mil milhões de euros) e a Roche (Suíça, Farmacêutica) com 333,95 mil milhões de dólares (292,22 mil milhões de euros).
O top 5 é completado pelo HSBC (Reino Unido, Banca) com 323,93 mil milhões de dólares (283,45 mil milhões de euros) e pela LVMH (França, Bens de Luxo) com 297,94 mil milhões de dólares (260,71 mil milhões de euros).
Outras empresas de mega capitalização que se destacam incluem a Novartis (Suíça, Farmacêutica) com 287,99 mil milhões de dólares (252,00 mil milhões de euros), a AstraZeneca (Reino Unido, Farmacêutica) com 277,15 mil milhões de dólares (242,52 mil milhões de euros), a Nestlé (Suíça, Alimentação e Bebidas) com 259,06 mil milhões de dólares (226,69 mil milhões de euros), a Siemens (Alemanha, Conglomerado Industrial) com 242,65 mil milhões de dólares (212,33 mil milhões de euros) e a L’Oréal (França, Cuidados Pessoais) com 239,63 mil milhões de dólares (209,69 mil milhões de euros).
A lista das 15 maiores inclui ainda a Linde (Reino Unido, Gases Industriais) com 239,57 mil milhões de dólares (209,64 mil milhões de euros), a Seagate Technology (Irlanda, Armazenamento) com 231,26 mil milhões de dólares (202,36 mil milhões de euros), a Shell (Reino Unido, Petróleo e Gás) com 228,00 mil milhões de dólares (199,51 mil milhões de euros), a Hermès (França, Bens de Luxo) com 211,77 mil milhões de dólares (185,30 mil milhões de euros) e a Inditex (Espanha, Moda) com 202,49 mil milhões de dólares (177,19 mil milhões de euros).
A Arm Holdings, do Reino Unido, e a Roche, da Suíça, ocupam a segunda e terceira posições, respetivamente, com capitalizações de mercado de 423,32 mil milhões de dólares e 333,95 mil milhões de dólares.
A Arm é líder global em design de semicondutores, cujas arquiteturas de processadores alimentam milhares de milhões de smartphones, computadores e dispositivos habilitados para IA em todo o mundo.
A Roche, por sua vez, é uma das maiores empresas farmacêuticas e de diagnóstico do mundo, refletindo a longa reputação da Suíça como um centro global para a inovação em saúde e ciências da vida.
O setor da saúde destaca-se como o mais resiliente na Europa, com Roche, Novartis e AstraZeneca entre as dez mega-empresas mais valiosas do continente. Estas empresas farmacêuticas têm demonstrado um crescimento constante de dois dígitos, evidenciando a procura contínua por negócios robustos e orientados para os lucros.
O Reino Unido é o país com o maior número de mega-empresas europeias no ranking, incluindo Arm Holdings, HSBC, AstraZeneca, Linde e Shell, abrangendo tecnologia, finanças, saúde, indústria e energia, o que o torna o mercado mais diversificado entre as grandes empresas cotadas na Europa.
Nem todos os gigantes europeus beneficiaram da subida do mercado. A Nestlé, a Shell e a Hermès registaram quebras no último ano, o que sugere que mesmo as empresas reconhecidas a nível global tiveram dificuldades em acompanhar o ritmo de crescimento dos negócios relacionados com a inteligência artificial.
Alan Goldberg, analista de dados principal da BestBrokers, comentou que “o panorama empresarial europeu está a entrar numa nova era, onde a herança industrial é desafiada pelo domínio tecnológico”.
“Durante décadas, os campeões de mercado do continente foram definidos pelo luxo, produtos farmacêuticos, banca e energia – os mundos do artesanato, estabilidade e marcas globais. Hoje, a ascensão de empresas ligadas à inteligência artificial e à computação avançada sinaliza uma mudança profunda: o futuro poder de mercado da Europa está cada vez mais ligado à infraestrutura invisível que impulsiona a economia digital”, acrescenta.
“A ascensão da ASML capta esta transformação, colocando uma empresa europeia no centro da corrida global da IA numa altura em que o controlo sobre a tecnologia de semicondutores se tornou uma prioridade estratégica para governos e investidores”, sublinha Alan Goldberg.
Goldberg acrescenta que “a história da Europa não é simplesmente a de perseguir o Vale do Silício. Os líderes de mega capitalização do continente revelam um modelo mais equilibrado – um onde a tecnologia de ponta se alia a cuidados de saúde de classe mundial, experiência industrial e marcas de consumo construídas ao longo de gerações”.
Empresas como Roche, Novartis, LVMH e Siemens representam um tipo diferente de vantagem competitiva: mais lentas, mas profundamente enraizadas em conhecimento especializado e procura global, refere o analista
“À medida que os investidores se tornam mais seletivos no meio do crescente debate sobre as avaliações da IA, o desafio da Europa será transformar a sua combinação única de excelência científica, experiência em engenharia e profundidade industrial numa fonte sustentável de liderança global. A recente cautela do mercado em relação às ações ligadas à IA mostra que mesmo as narrativas tecnológicas mais fortes devem, eventualmente, provar o seu valor através da execução a longo prazo”, conclui.