O Millennium BCP registou um resultado líquido de 565,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um aumento de 12,7% face aos 502,3 milhões do período homólogo, impulsionado pelo crescimento em Portugal e pela forte recuperação da operação internacional.

A rentabilidade medida pelo ROE ascendeu  a 14,6% e a 15,2% em termos de RoTE (rentabilidade dos capitais próprios tangíveis). O banco destacou ainda um crescimento do valor contabilístico por ação mais dividendo (BVPS+DPS) de 19,5% e dos resultados por ação (EPS) de 15,0%.

É o que mostram os dados apresentados esta quarta-feira em Lisboa pelo presidente executivo, Miguel Maya, acompanhado pelos vice-presidentes Miguel Bragança e João Nuno Palma e pela restante Comissão Executiva.

Os resultados do primeiro semestre do BCP beneficiaram do crescimento da margem financeira, das comissões e da redução dos encargos associados aos créditos hipotecários em francos suíços na Polónia. A margem financeira aumentou 3,4% para 1.493,8 milhões de euros. As comissões cresceram 5,8% para 438 milhões de euros.

Os proveitos core cresceram 4%, para 1.931,9 milhões de euros.

Os custos operacionais aumentaram 5,4%, para 720,2 milhões de euros, refletindo sobretudo o aumento dos custos com pessoal e dos gastos administrativos, mantendo, ainda assim, um rácio ‘cost-to-income’ de 37% ao nível do grupo.

O resultado antes de imparidades e provisões avançou 5,6%, para 1.230,1 milhões de euros. Já as imparidades e outras provisões recuaram 21,8%, para 293,7 milhões, beneficiando sobretudo de uma redução de 62,6% dos riscos legais relacionados com os créditos hipotecários em francos suíços na Polónia.

As imparidades para crédito subiram 16,3% (para 104,4 milhões de euros), o que Miguel Maya explicou com a prudência face à conjuntura económica e geopolítica. “Estou muito confiante no nosso Plano Estratégico, mas o contexto geopolítico é de instabilidade e há cisnes negros que se poderão vir a materializar”, disse o CEO.

Em compensação, as imparidades para riscos de litigância no banco detido em 50,1% pelo BCP na Polónia, caíram -62,6%.

Antes de impostos, o banco registou um resultado de 936,4 milhões de euros, mais 18,7% do que um ano antes.

O resultado líquido da atividade em Portugal situou-se nos 470,2 milhões de euros, uma subida de 10,9% em termos homólogos. A margem financeira em Portugal aumentou +11,3% para 733,2 milhões de euros. As comissões na atividade doméstica subiram 5% para 322,4 milhões. Em Portugal os custos também aumentaram +5,4% para 360,7 milhões de euros.

Já o resultado líquido das operações internacionais aumentou 25,2% para 183,5 milhões de euros, contra 146,6 milhões no primeiro semestre de 2025.

A puxar pelo desempenho internacional esteve o Bank Millennium, na Polónia, que registou um lucro de 166,9 milhões de euros, mais 38,7% do que no mesmo período do ano passado. Segundo o banco, a evolução reflete “em grande medida a redução de 64,9% nos encargos associados à carteira de créditos hipotecários em francos suíços”, que se situaram nos 96,7 milhões de euros nos primeiros seis meses.

As operações internacionais aumentaram o seu contributo em 25,2%, para 183,5 milhões de euros.

O Millennium bim, em Moçambique, contribuiu com 13,9 milhões de euros, um resultado influenciado por imparidades relacionadas com o contexto financeiro do país.

O BCP mantém rácios de capital sólidos, com um rácio CET1 fully implemented de 15,1% e um rácio de capital total de 19,3%, ambos “confortavelmente acima dos requisitos regulamentares”, segundo a instituição.

Os indicadores de liquidez mantiveram-se robustos, com o LCR (Liquidity Coverage Ratio) em 326%, o NSFR (Net Stable Funding Ratio) em 183% e o rácio de crédito líquido sobre depósitos em 68%. Os ativos disponíveis para financiamento junto do BCE ascendem a 30,5 mil milhões de euros.

No balanço, o crédito a clientes no Grupo aumentou 8,3% em termos homólogos para 65,2 mil milhões de euros, enquanto os recursos totais de clientes cresceram 9,8% para 116,7 mil milhões. Em Portugal, o crédito subiu 8,6% e os recursos 7,2% em base anual. Na Polónia, o crédito a empresas disparou 31,8% num ano.

A carteira de crédito performing do grupo cresceu 8,3%, para 65,2 mil milhões de euros. Em Portugal, aumentou 8,6%, para 45,05 mil milhões, impulsionada sobretudo pelo crédito à habitação, que cresceu 11,1%, para 22,5 mil milhões de euros. O crédito a empresas aumentou 6,1%.

Os recursos de clientes aumentaram 9,8% no grupo, para 116,7 mil milhões de euros, e 7,2% em Portugal, para 77,5 mil milhões.

O banco prosseguiu também a melhoria da qualidade dos ativos. O banco destaca a “redução expressiva” dos ativos não produtivos, com uma descida de 187 milhões de euros em NPE no Grupo face a junho de 2025. O montante de crédito não produtivo (NPE) diminuiu assim 11,5% no grupo, para 1,44 mil milhões de euros, reduzindo o rácio de NPE de crédito de 2,7% para 2,2%. Em Portugal, o stock de NPE caiu 10,5%, para 734 milhões de euros (-86 milhões de euros), fazendo descer o rácio de NPE de crédito de 2,0% para 1,6%.

O custo do risco situou-se nos 32 pontos base, tanto no Grupo como em Portugal.

Na apresentação dos resultados, o banco destacou ainda o reforço da utilização dos canais digitais, referindo cerca de 17 milhões de ‘logins’ diários na aplicação móvel e um crescimento continuado da atividade digital dos clientes.

A base de clientes ativos cresceu 4% para 7,4 milhões, com os clientes mobile a aumentarem 8% e a representarem já 75% do total em junho de 2026.