Há muito que o Grupo Aveleda explora o enoturismo na Quinta da Aveleda, um pequeno paraíso de flora e paisagem raras encastrado entre as cidades de Paredes e de Penafiel – onde também podem ser organizados eventos, seminários e encontros de empresa – mas o grupo decidiu agora alargar o enoturismo a outras quintas que fazem parte do seu portefólio.

A Quinta Vale Dona Maria, comprada pela Aveleda em 2017 – a Cristiano Vanzeller, que entretanto tem outra empresa de vinhos – vai ser alvo de um investimento de mais de 1,5 milhões de euros para colocar no ativo a casa da quinta e a adega. “O investimento já estava previsto desde que comprámos a quinta e começou há cerca de quatro anos; será oficialmente aberto no próximo dia 1 de agosto”, disse o co-CEO do grupo, Martin Guedes, em entrevista ao JE.

Para além de uma sala de provas com capacidade para 24 pessoas o projeto contempla ainda a Adega Expositiva – Guardiã das Vinhas Velhas, “um espaço que convida os visitantes a compreender a importância das vinhas velhas na identidade da Quinta Vale D. Maria e na história do Douro”. A estimativa é que o enoturismo receba cerca de três mil visitantes por ano. Em velocidade-cruzeiro, o projeto irá agregar uma receita da orem dos 300 mil euros. Para já, não está previsto que a casa venha a disponibilizar dormidas – ou seja, a transferência do enoturismo para a hotelaria não está nos planos da Aveleda. O vinho da quinta vale cerca de dois milhões de euros por ano.

O segundo projeto será para construir na algarvia Vila Alvor. O grupo Aveleda comprou a quinta, inserida na região de vinhos do Algarve, em 2019. São 80 hectares sem qualquer construção que possa servir, ao contrário de Vale D. Maria, para utilização para o enoturismo. Será por isso necessário, adiantou Martin Guedes, um investimento entre 2,3 e três milhões de euros para a construção de raiz de um edifício que possa albergar o projeto, que será lançado ainda este ano.

A Aveleda é ainda dona da Quinta da Aguieira, na Bairrada. A propriedade, localizada em Valongo do Vouga (concelho de Águeda), no extremo norte da Região Demarcada da Bairrada, foi adquirida pelo grupo em 1997.

 

Um ano atípico

O Grupo Aveleda registou em 2025 um volume de negócios da ordem dos 49 milhões de euros – com a marca Casal Garcia (e as suas quase duas dezenas de distintas referências) a responder por 65% daquele valor. Mas, este ano, que tem sido atípico nomeadamente na frente das exportações, não deverá ainda fechar acima da barreira dos 50 milhões, adiantou Martin Guedes.

No caso dos Estados Unidos, um dos mais importantes para as exportações da empresa, o consumo tem registado uma diminuição da ordem dos 15% ao longo do ano. Para Martin Guedes, essa diminuição deu-se por dois motivos. Em primeiro lugar, o consumo de álcool sofreu um decréscimo acentuado depois da pandemia de Covid; e em segundo, como disse Martin Guedes, a legalização do uso lúdico de canábis produziu uma transferência dos consumidores do álcool para a ‘erva’ que tem penalizado os vitivinicultores.

 

À espera do Mercosul

No caso do Brasil – outro importante mercado externo da Aveleda, houve também uma pequena redução das vendas. Mas Martin Guedes está convencido de que isso vai rapidamente ser alterado – muito por influência positiva do Mercosul. “Vai ajudar muito”, afirmou. Apesar de o plano ter estado a ‘marinar’ durante quase 25 anos e de estar ‘encalhado’ num tribunal a mando do Parlamento Europeu, os mercados já se vão ajustando ao futuro (a Comissão Europeia ativou, em fevereiro passado, a aplicação provisória do pilar comercial do acordo).

Mas é preciso ter paciência: o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) ainda não deu ‘luz verde’ definitiva nem emitiu o seu parecer final sobre o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. O processo foi enviado para o tribunal em janeiro de 2026 por iniciativa do Parlamento Europeu, e a análise jurídica detalhada tem um prazo estimado de 16 a 24 meses, o que significa que uma decisão final só deverá ser conhecida entre meados de 2027 e o início de 2028.

De qualquer modo, a expectativa da Aveleda – e dos restantes produtores na União Europeia – é que os 30% de taxas aduaneiras que incidem sobre os vinhos europeus venham a desaparecer nos oito anos seguintes à efetivação do acordo. Se por acaso isso vier a suceder.

No Alemanha, o terceiro mercado externo preferencial da Aveleda, o consumo também está a cair, com as novas gerações a consumirem menos álcool. Para responder a esta nova postura do mercado, a Aveleda tem vindo a lançar, sob a insígnia Casal Garcia, bebidas aromatizadas à base de vinho “que estão a ter um grande sucesso.