O resultado líquido atribuível aos acionistas do Grupo Sonae atingiu 123 milhões de euros (M€), aumentando 20,5%, “com crescimento dos negócios nacionais e internacionais, ganhos de eficiência e solidez financeira”. Em comunicado enviado à CMVM, o grupo diz ainda que o volume de negócios consolidado cresceu mais de 6% em termos homólogos, para 5,6 mil milhões de euros, “impulsionado pelos negócios de retalho, com crescimento orgânico e expansão da rede de lojas”.

O EBITDA subjacente melhorou 13%, para 536 M€, “beneficiando do contributo positivo da MC e dos restantes negócios de retalho, com aumento de vendas e ganhos de eficiência operacional”. O investimento operacional dos últimos 12 meses aumentou 7% e atingiu 516M€.

Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, disse, citada pelo comunicado, que “a Sonae alcançou resultados muito positivos no segundo trimestre de 2026, dando continuidade à dinâmica favorável dos últimos meses e reforçando, uma vez mais, a solidez do portefólio. A disciplina operacional e uma execução estratégica consistente mantêm-se os pilares da nossa criação de valor de longo prazo”.

“Iremos continuar a investir no nosso futuro. A inteligência artificial, a transformação digital e as diversas iniciativas de excelência operacional permitem-nos obter ganhos de produtividade, melhorando a tomada de decisão e elevando a experiência dos clientes em todos os nossos negócios. Em conjunto com a nossa abordagem disciplinada à alocação de capital, estes investimentos reforçam a competitividade de longo prazo do nosso portefólio”, referiu ainda.

 

Análise consolidada

O volume de negócios consolidado do grupo aumentou 6,3% para 5,6 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026 (1S26), sendo que no segundo trimestre de 2026 (2T26) aumentou 5,6% para 2,9 mil milhões de euros, “suportado por contributos sólidos de todos os negócios de retalho. O forte crescimento das vendas LfL e a contínua expansão das redes de lojas permitiram reforçar as posições de liderança nos vários mercados”.

O EBITDA subjacente aumentou 13,3% no 1S26, para 536M€, aumentando 26M€ para 281M€ no 2T26 impulsionado sobretudo pela MC e suportado pelos contributos positivos dos restantes negócios de retalho. A margem de EBITDA subjacente melhorou de 9,5% para 9,9% no 2T26 (9,6% no 1S26), refletindo o aumento das vendas e ganhos de eficiência operacional. O EBITDA aumentou 14,4% para 600M€ no 1S26, registando-se um crescimento de 15,1% para 316M€ no 2T26, suportado pela melhoria do desempenho operacional subjacente.

O resultado líquido atribuível a acionistas atingiu 123M€ no 1S26, e 75M€ (mais 27,3%) no 2T26. “Esta evolução reflete o crescimento dos negócios nacionais e internacionais, os ganhos de eficiência, o constante investimento no desenvolvimento dos negócios e a forte solidez financeira”.

O investimento operacional (CAPEX) do grupo nos últimos 12 meses aumentou 7,4% para 516M€, o qual permitiu potenciar o crescimento orgânico dos negócios, sendo reforçado por um montante de 128M€ investido em fusões e aquisições. A dívida líquida consolidada diminuiu mais de 180M€ face ao período homólogo, para 1,8 mil milhões de euros, e o rácio loan-to-value (LTV) melhorou, reafirmando a trajetória de desalavancagem da Sonae e a solidez do seu balanço.

O valor líquido do portefólio (NAV) reportado, com base em referências de mercado, aumentou para 5,6 mil milhões de euros, um crescimento de 18% face ao período homólogo, correspondendo a um NAV por ação em circulação de 2,89 euros. Considerando o preço de fecho da ação da Sonae de 2,015 euros no final do 1S26, o desconto implícito da cotação face ao NAV situou-se em 30%, comparando com 51% no final do 1S25 e 33% no final do 1T26.

No retalho alimentar e de saúde e beleza, a MC registou um forte desempenho operacional no 2T26, com o volume de negócios a aumentar 7,2% face ao período homólogo, para 2,3 mil milhões de euros. No 1S26, o volume de negócios atingiu 4,4 mil milhões de euros, um aumento de 7,9% face ao período homólogo.

O negócio de retalho alimentar da MC manteve um forte crescimento no 2T26, com o volume de negócios a aumentar 5,7% face ao período homólogo, para 1,8 mil milhões de euros, suportado por um crescimento LfL de 5,1%, apesar do abrandamento do mercado no seu conjunto. No primeiro semestre, o volume de negócios aumentou 6,8% face ao período homólogo, para 3,5 mil milhões de euros, sustentado pelo contínuo crescimento dos volumes. O Continente continuou a ganhar quota de mercado, apesar de um contexto altamente competitivo, em que os principais operadores mantiveram investimentos significativos em preço e comunicação. O crescimento em termos comparáveis foi transversal a todos os formatos físicos, enquanto o canal online manteve um desempenho superior. Nos primeiros seis meses do ano, o Continente abriu três novas lojas (dois Continente Bom Dia e um Continente Modelo).

O negócio de saúde e beleza da MC registou mais um trimestre de crescimento de dois dígitos, com o volume de negócios a aumentar 13,1% face ao período homólogo, para 469M€. Este desempenho refletiu o crescimento LfL sustentado da Wells e da Druni, em conjunto com a contínua expansão das respetivas redes de lojas. No primeiro semestre, o volume de negócios aumentou 12,3% face ao período homólogo, para 906M€, com ambas as insígnias a ganharem quota de mercado durante o período.

Na área de eletrónica, o volume de negócios da Worten aumentou 5% no 2T26, face ao período homólogo, para 329M€, suportado por um crescimento LfL de 4,5%. No 1S26, o volume de negócios cresceu 7% face ao período homólogo, para 681M€, refletindo uma sólida procura nas categorias principais de eletrónica e eletrodomésticos e impulsionado por um crescimento de volumes e por um crescimento de dois dígitos em serviços.  Tanto as lojas físicas como o canal online contribuíram para o crescimento, continuando o canal online a ganhar relevância e representando aproximadamente 20% do volume de negócios total no 1S26. A App Worten reforçou o seu papel como canal estratégico de vendas e de relacionamento com o cliente, contribuindo para uma maior eficiência comercial e para a fidelização dos clientes.

A iServices manteve uma dinâmica positiva, representando 8% do volume de negócios total no 1S26, mais 1,4 p.p. face ao período homólogo. O volume de negócios em Portugal aumentou cerca de 8% face ao período homólogo no 2T26, suportado por um crescimento LfL positivo e pelo contributo das lojas recentemente abertas, enquanto as vendas internacionais quase duplicaram face ao período homólogo, refletindo a contínua expansão da rede internacional de lojas. A iServices abriu 10 novas lojas durante o trimestre, das quais 8 fora de Portugal.

No retalho de produtos e cuidados para animais de estimação, a Musti registou um forte crescimento de vendas no 2T26, com o volume de negócios a aumentar 13,8% face ao período homólogo, para 139M€. Este desempenho foi suportado por um crescimento LfL de 2,1%, temporariamente impactado pela implementação de uma nova plataforma de comércio eletrónico, e pela integração da ZU em Portugal, que foi adquirida em dezembro de 2025. No 1S26, o volume de negócios aumentou 14,7% face ao período homólogo, para 277M€, com um crescimento LfL de 3%.

Os principais mercados registaram um bom desempenho durante o trimestre. A Noruega apresentou um crescimento particularmente forte, enquanto a Finlândia permaneceu globalmente estável e a Suécia manteve uma dinâmica positiva na captação de clientes e na expansão da rede de lojas. A integração da Pet City nos países bálticos entrou na sua fase final e, em Portugal, a integração da ZU prosseguiu conforme planeado. Após o final do trimestre, a Musti anunciou a aquisição de três lojas Gaston à ICA, na Suécia, e iniciou discussões sobre uma potencial parceria de longo prazo para explorar a abertura de novas localizações Arken Zoo junto de lojas ICA.

No setor imobiliário, a Sierra continuou a apresentar um forte desempenho no 2T26 e a criar valor através da sua plataforma integrada de imobiliário. Os resultados foram suportados pelo crescimento contínuo do portefólio europeu de centros comerciais, pela expansão adicional dos serviços e pela execução consistente do pipeline de development. O resultado direto aumentou 19% face ao período homólogo no 2T26, suportado pelo sólido desempenho operacional do portefólio de centros comerciais e pela contínua expansão do negócio de serviços. Os ativos sob gestão (AuM) aumentaram mais de 450M€ face ao período homólogo, para 7,1 mil milhões de euros, enquanto o NAV aumentou para 1,2 mil milhões de euros, refletindo a contínua criação de valor em todo o portefólio.

No portefólio europeu de centros comerciais, as vendas dos lojistas aumentaram 4,6% em termos LfL no primeiro semestre, enquanto a taxa de ocupação se manteve próxima dos 99% e a cobrança de rendas permaneceu em níveis elevados, refletindo a robustez do desempenho operacional do portefólio. A Sierra continuou a gerir ativamente os seus ativos através de projetos de renovação, reciclagem de capital e iniciativas de asset management, reforçando o valor de longo prazo do seu portefólio.

O negócio de serviços da Sierra continuou a expandir-se, suportado pela dinâmica comercial sustentada na área de Property Management, incluindo a integração em curso da sua plataforma de serviços na Alemanha, e pelo crescimento adicional dos veículos de gestão de investimento. Na área de Investment Management, a Sierra e o Hahn Gruppe iniciaram a implementação da sua estratégia de investimento em retalho alimentar no sul da Europa através de várias aquisições em Portugal e Espanha. A atividade de Development prosseguiu de forma consistente, com a construção a avançar em todo o pipeline e a comercialização a ganhar tração em vários projetos-chave. O pipeline residencial também foi reforçado com a incorporação do maior projeto de habitação acessível para arrendamento (build-to-rent) atualmente em desenvolvimento em Portugal, em parceria com o Município do Porto e a Solive.

Nas telecomunicações, a NOS registou um sólido desempenho operacional e financeiro no 2T26, continuando a aumentar a rentabilidade num mercado intensamente competitivo. As receitas consolidadas totalizaram 458M€ no 2T26, mantendo-se globalmente estáveis face ao período homólogo, suportadas pelo crescimento dos negócios de Empresarial e de TI, que compensou a pressão contínua no segmento de Consumo e o ligeiro decréscimo do negócio de Cinema & Audiovisuais. O resultado líquido atingiu 78M€, um aumento de 34% face ao período homólogo. Nas contas consolidadas da Sonae, a contribuição da NOS pelo método da equivalência patrimonial ascendeu a 28M€ no 2T26 e a 48M€ no 1S26.