O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa para 1,9% este ano — uma diferença de duas décimas face à previsão que a instituição tinha feito em outubro. E acredita que deverá desacelerar para 1,8% em 2027.
Um valor que se distancia ainda mais da previsão do Governo. O executivo ainda não reviu a previsão inscrita no Orçamento do Estado, de 2,3% para este ano.
Em relação aos preços, o FMI espera uma subida de 3,1% este ano e 2,3% em 2027, enquanto o desemprego deverá ficar em 5,9% nos dois anos.
No caso da zona euro, o World Economic Outlook antevê uma redução de duas décimas este ano (o crescimento esperado é agora de 1,1%), a mesma revisão feita para Espanha (o PIB deve subir 2,1%) e para Itália (0,5%).
Já a economia alemã vê cair a perspetiva em 0,3 pontos percentuais, com o FMI a esperar agora que cresça 0,8%, enquanto França tem a revisão mais ligeira entre os países da moeda única: menos uma décima, para 0,9%.
Fora do euro, a maior revisão em baixa entre as maiores economias globais foi feita para o Reino Unido. Em vez de 1,3%, a instituição liderada por Kristalina Georgieva espera que a economia britânica cresça 0,8%. Os EUA, por outro lado, devem crescer 2,3% em 2026, a China 4,4% e a Índia 6,5%. Para a economia global, o crescimento previsto é de 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027.
Mas estas são perspetivas no cenário de referência. Num “cenário severo”, que “assume perturbações nos mercados energéticos prolongadas até ao próximo ano, juntamente com uma desancoragem das expectativas de inflação e um agravamento das condições financeiras”, o FMI avisa que a economia global “aproximar-se-ia de uma recessão, com crescimento em torno de 2% este ano e no próximo, e inflação global total perto de 6%”.