O Fundo Monetário Internacional acredita que a economia mundial vai crescer 3,1% este ano, menos duas décimas do que previa em janeiro, antes da guerra do Irão ter começado, e aponta para 3,2% no próximo ano. Já a inflação global deverá subir para 4,4% em 2006 e 3,7% em 2027. “É o reflexo, em larga medida, das perturbações provocadas pelo conflito no Médio Oriente”, parcialmente compensadas por um bom comportamento da economia antes da guerra e pela redução das tarifas, indicou o FMI esta terça-feira à tarde.
O relatório antevê uma redução de duas décimas também na zona euro (o crescimento esperado é agora de 1,1%), a mesma revisão feita para Espanha (o PIB deve subir 2,1%) e para Itália (0,5%). Já a economia alemã vê cair a perspectiva em 0,3 pontos percentuais, com o FMI a esperar agora que cresça 0,8%, enquanto França tem a revisão mais ligeira entre os países da moeda única: menos uma décima, para 0,9%.
Fora do euro, a maior revisão em baixa entre as maiores economias globais foi feita para o Reino Unido. Em vez de 1,3%, a instituição liderada por Kristalina Georgieva espera que a economia britânica cresça 0,8%. Os EUA, por outro lado, devem crescer 2,3% em 2026, a China 4,4% e a Índia 6,5%.
Avisos para recessão
Este é, no entanto, um cenário de referência, podendo piorar se houver “aumentos mais fortes e persistentes dos preços da energia”. Nesse caso, “o crescimento mundial abrandaria ainda mais, para 2,5% em 2026, e a inflação atingiria 5,4%”, apontou o World Economic Outlook.
E se as núvens se adensarem ainda mais, num “cenário severo”, que “assume perturbações nos mercados energéticos prolongadas até ao próximo ano, juntamente com uma desancoragem das expectativas de inflação e um agravamento das condições financeiras”, a economia global “aproximar-se-ia de uma recessão, com crescimento em torno de 2% este ano e no próximo, e inflação global total perto de 6%”, escreveu Pierre-Olivier Gourinchas, conselheiro económico do Fundo Monetário. “Claramente, os riscos em baixa são enormes”.
Este é um cenário, aponta o relatório, em que haveria “maiores danos nas infraestruturas energéticas na região do conflito”. As economias emergentes e em desenvolvimento sentiriam o impacto de forma mais intensa, assinala ainda.
“O encerramento do estreito de Ormuz e os danos graves em instalações de produção críticas numa região central para o abastecimento mundial de hidrocarbonetos poderão desencadear uma crise energética de uma escala sem precedentes”, avisa o FMI. Para já, o Fundo estima que o preço das matérias-primas energéticas suba 19% este ano.