O investigador Domingos Xavier Viegas alertou que os incêndios de sexta geração, como os que afetam Espanha e França, serão cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas. Em declarações à agência Lusa, o especialista em incêndios florestais explicou que a designação de sexta geração se deve à enorme energia libertada pelas chamas, que pode ultrapassar os 60 megawatts por metro, tornando o combate impossível por meios diretos.

Segundo o professor emérito da Universidade de Coimbra, esses incêndios geram o próprio vento, alterando o comportamento do fogo e dificultando a previsão e o controlo. O combate só é possível na cauda e nos flancos, sendo prioritário proteger e retirar as pessoas das áreas afetadas. O relatório “Incêndios florestais em Portugal: Mais de 80 anos mostram que o país tem de mudar”, elaborado pelo Greenpeace com a participação de Xavier Viegas, aponta as condições climáticas, a organização da paisagem e a insuficiente gestão florestal como principais causas dos incêndios em Portugal.