O Presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, defendeu que a privatização da TAP deveria ter sido total e lamentou a exclusão da SATA do pacote de privatização, criticando a falta de maior concorrência no processo.

Calheiros alertou ainda que os problemas registados no controlo de fronteiras no Aeroporto de Lisboa deixaram uma “imagem muito negativa” do país, com impacto no setor turístico, apesar de a situação ter melhorado. Sublinhou que os atrasos nas entradas foram reduzidos, mas os danos reputacionais “andaram nas redes sociais” e vão demorar a desaparecer.

O responsável admite que o funcionamento está hoje mais estável, mas insiste que o problema “não está resolvido”, criticando a prática de desligar o sistema como solução pontual.

Francisco Calheiros mostra-se confiante quanto ao desempenho global do turismo em 2026, antecipando um ano “igual” a 2025 e um verão “ótimo”, em linha com o do ano passado. A quebra de cerca de 8% no turismo nos Açores, associada à saída da Ryanair e à instabilidade no Médio Oriente, não altera a perspetiva global.

No que toca aos preços, reconhece aumentos entre 5% e 7% para o consumidor final, devido à inflação, mas rejeita que Portugal tenha perdido competitividade. “É um mito” que destinos como o Algarve não sejam acessíveis aos portugueses, afirma, lembrando que “quem salvou o ano foram os portugueses”.

O presidente da CTP defende ainda que está “na altura” de o Governo apresentar a estratégia para o turismo, há muito anunciada, e aponta críticas à UGT no âmbito da concertação social. Segundo Calheiros, o acordo sobre legislação laboral “nunca teve condições para funcionar”, responsabilizando a central sindical pela ausência de entendimento.