A Fundação Jerónimo Martins apresentou esta terça-feira um programa de reconstrução e recuperação de mais de 100 instituições nos municípios de Leiria, Marinha Grande e Ourém, afetados pela tempestade Kristin de 28 de janeiro.
A iniciativa, desenvolvida pela Fundação em parceria com as três autarquias e a Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, prevê beneficiar cerca de 12 mil pessoas, maioritariamente crianças, idosos e famílias vulneráveis.
As primeiras obras estão previstas para arrancar a 8 de junho, em simultâneo nos três concelhos, com as equipas técnicas de engenharia e construção que a Fundação constituiu para este programa, explicou a instituição.
O programa foi apresentado numa conferência de imprensa realizada no Centro Social Paroquial de Regueira de Pontes, em Leiria — uma das instituições abrangidas —, e contempla creches, lares de idosos, estruturas de apoio a pessoas com deficiência e habitações de famílias vulneráveis identificadas pelas autarquias. O financiamento é integralmente privado, sem recurso a fundos públicos.
Entre março e maio, a Fundação Jerónimo Martins mobilizou equipas de assistentes sociais, engenheiros e empreiteiros para um levantamento sistemático dos danos, visitando mais de 140 instituições em 35 freguesias dos três concelhos. O trabalho foi desenvolvido em estreita articulação com as câmaras municipais parceiras, a Estrutura de Missão e mais de 20 outras entidades nacionais e locais, sublinha a instituição.
A Fundação diz ainda que procurou ainda incorporar boas práticas internacionais de recuperação pós-catástrofe climática, constituindo uma equipa técnica especializada em engenharia e construção que atuará no terreno. As primeiras obras estão previstas para arrancar a 8 de junho, em simultâneo nos três concelhos.
A Fundação Jerónimo Martins interveio logo após a tempestade, que ocorreu na noite de 28 de janeiro, apoiando mais de 250 colaboradores do Grupo afetados nos primeiros sete dias. No total, destinou mais de três milhões de euros para colaboradores e famílias, aos quais se somou um milhão de euros de apoio à comunidade, canalizado através da Estrutura de Missão ainda em fevereiro.
Marta Lopes Maia, presidente da Fundação, sublinhou que “porque somos uma Fundação que atua no terreno, percebemos profundamente o nível de devastação nesta região, o que nos levou a ampliar o apoio à comunidade, numa parceria inédita entre a sociedade civil e as entidades regionais para garantir que ninguém fica para trás”. Miguel Herdade, diretor executivo, destacou o trabalho de proximidade com as autarquias como prova da “responsabilidade da sociedade civil para resolver os problemas do país”.
Pela escala das intervenções e pelo modelo colaborativo adotado, a Fundação descreve o programa como um projeto de apoio filantrópico sem precedentes em Portugal, com o objetivo de acelerar a reposição das condições normais de vida nas três comunidades afetadas.
O Grupo Jerónimo Martins anunciou em 2024 que criou uma Fundação, com dotação de 40 milhões de euros e propôs aos acionistas que parte dos seus lucros anuais passem a ser-lhe atribuídos, anunciou na altura em comunicado. “Esta Fundação desenvolverá a sua missão junto dos colaboradores do grupo e respetivas famílias e, complementarmente, da comunidade em geral em especial em resposta a situações de vulnerabilidade socioeconómica”, destacou o grupo liderado pela família Soares dos Santos.