
Marcou um grande golo na Luz esta temporada, irritou os adeptos do Benfica e eliminou as águias da Liga dos Campeões numa eliminatória repleta de polémica. O extremo brasileiro Vinícius Júnior é, aos 25 anos, um dos melhores jogadores do mundo. O craque do Real Madrid está avaliado em 150 milhões de euros pela plataforma Transfermarkt e será, certamente, um dos cabeças de cartaz do Mundial deste verão. E só estamos a falar da sua dimensão futebolística. Há um ano, Vinícius Júnior deu expressão à sua vertente de investidor e colocou Portugal no radar empresarial. Escolheu adquirir uma participação minoritária no Alverca, clube que na altura militava na II Liga portuguesa, numa operação cujo valor ficou no segredo dos deuses (aparentemente, os deuses do futebol também guardam estas informações), mas que se estima em cerca de oito a dez milhões de euros.
Tal como faz nos relvados, Vinícius Júnior também tem o toque de Midas nos negócios: pouco tempo depois de ter adquirido uma participação minoritária no clube ribatejano, o internacional brasileiro celebrou a subida do Alverca e o regresso ao convívio entre os maiores clubes do futebol português, 22 anos depois da última presença. Esta temporada, tem garantida a manutenção no principal escalão. José Miguel Albuquerque, CEO do Alverca, foi questionado recentemente sobre a presença do brasileiro na estrutura acionista da SAD e tudo o que se conseguiu arrancar do dirigente é que o clube tem “muito orgulho” no acionista.
Jogador e stakeholder
Vinícius Júnior é o exemplo de que a “futebolização” da gestão dos clubes é uma realidade incontornável e que esta entrada de jogadores (ainda no ativo) no capital acionista das SAD já ameaça a predominância dos fundos de investimento.
Se é verdade que os fundos de investimento e private equity atingem valores recorde no futebol (investimento de 2,2 mil milhões de euros em 2024, com dois terços dos clubes das Big 5 a serem alvo desses investidores), a aposta de futebolistas no ativo na entrada no capital dos clubes apresenta-se com vantagens para todos.
Uma das mais interessantes passa pela forma como esse clube atrai patrocinadores e aumenta a sua visibilidade de mercado, só por estar associado a grandes nomes do futebol.
Esta espécie de resgate da essência do futebol permite que a gestão esteja entregue a quem está por dentro do jogo, ao contrário da visão dos fundos que é muitas vezes perspetivada como puramente comercial e desfasada das emoções dos adeptos. “O futuro atleta vai ter um papel de stakeholder com participações minoritárias mas vão ser investidores e donos do futuro do desporto e empurrar o desporto para onde eles acham que tem de ir”, destaca ao JE António Caçorino, cofundador e CEO da Apex, uma empresa de investimento de origem portuguesa especializada em desporto, media e entretenimento.
“Os atletas têm cada vez mais opiniões sobre a forma de melhorar os modelos de competição em que estão envolvidos e se puderem, devem investir não só com o capital mas também com o conhecimento que têm”.