
Uma tecnologia pioneira liderada pelo investigador português Miguel Mascarenhas, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), acaba de fazer história na medicina digital. O sistema DeepCapsule obteve a aprovação da Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora dos Estados Unidos, marcando um avanço sem precedentes na aplicação da Inteligência Artificial (IA) à saúde.
O DeepCapsul foi desenvolvido no seio da Digestaid, uma spin-off da FMUP e da Universidade do Porto. Esta é a primeira tecnologia de IA a nível mundial aprovada para a deteção e diferenciação de lesões durante a revisão de vídeos de cápsula endoscópica.
A grande inovação reside na eficiência drástica que introduz no fluxo de trabalho clínico. O processo de análise, que tradicionalmente demora cerca de 10 horas, passa a ser concluído em menos de quatro minutos. Segundo o comunicado o DeepCapsul mantém elevados níveis de fiabilidade clínica, reduzindo a margem de erro humano.
O software identifica e classifica ainda lesões de forma estruturada, servindo como um “segundo olhar” crucial para o médico.
Para Miguel Mascarenhas, que é também investigador do RISE-Health, este marco ultrapassa a questão regulatória.
“Sempre acreditámos que seria possível utilizar a tecnologia para ver mais, decidir melhor e elevar o padrão de cuidados, sem perder a dimensão humana da medicina. Hoje, essa visão começa a tornar-se realidade”, afirma o investigador.
A aprovação pela FDA — um dos selos de qualidade mais rigorosos do mundo — funciona como um passaporte para a expansão internacional. Com este aval, o DeepCapsule poderá ser implementado em centros clínicos de referência global, consolidando um novo paradigma no diagnóstico gastrointestinal baseado na escalabilidade da IA.
Este sucesso reforça o papel de Portugal e da Universidade do Porto como polos de inovação em saúde, provando que a investigação académica nacional tem capacidade para gerar soluções com impacto direto e imediato na vida dos doentes em todo o mundo.