O Politécnico de Leiria repudia, em declarações ao Jornal Económico, os pareceres negativos recentemente emitidos pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), relativamente à criação da Universidade de Leiria e Oeste, o Politécnico de Leiria.
“O Politécnico de Leiria reúne condições sólidas para esta evolução, representando a criação da Universidade de Leiria e Oeste um passo natural no seu percurso de afirmação no sistema de ensino superior, permitindo consolidar a sua capacidade científica, formativa e de transferência de conhecimento”, afirma Carlos Rabadão, presidente da instituição, ao JE.
Esta transformação constitui, explica, “uma oportunidade estratégica para reforçar a competitividade do território, potenciar a atração de talento e aprofundar a ligação ao tecido económico e social, contribuindo para o desenvolvimento regional e nacional.” Ao contrário do que afirmam alguns, “não fragiliza o sistema”, afirma, acrescentando tratar-se de “uma mais-valia para o país, ao promover uma maior criação e transferência de conhecimento, com impacto positivo na economia”.
Carlos Rabadão lembra que a transformação do Politécnico de Leiria em Universidade de Leiria e Oeste resulta de um processo “estruturado”, desenvolvido ao longo de vários anos e que o pedido de transformação “cumpre integralmente os requisitos legais definidos pelo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES)”. Foi submetido há mais de um ano, não se tratando, por isso, de uma iniciativa circunstancial ou ‘ad hoc’.
Criado há 45 anos, o Politécnico de Leiria tem vindo a reforçar a qualificação do seu corpo docente, apresentando hoje “um rácio de um doutor por cada 23 estudantes, valor acima do exigido”. Também ao nível dos programas doutorais, a instituição supera os requisitos, contando já com seis doutoramentos aprovados e outros seis submetidos à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Dispõe ainda de 15 unidades de investigação, das quais oito foram classificadas com ‘Excelente’, cinco com ‘Muito Bom’ e duas com ‘Bom’.
Carlos Rabadão destaca ainda ao JE, a importância da criação da Universidade de Leiria e Oeste como infraestrutura estratégica para a produção e transferência de conhecimento, para a promoção da inovação e para a qualificação avançada de recursos humanos.
“Num contexto marcado por desafios económicos, tecnológicos e sociais, o território de Leiria e Oeste necessita de uma instituição com capacidade reforçada para gerar ciência, formar talento e potenciar cadeias de valor de maior intensidade tecnológica”.
Este entendimento, acrescenta, “converge plenamente com o que havia sido afirmado no estudo “Prospetiva 2035 – Três Cenários para o Futuro de Leiria e Oeste”, apresentado em abril de 2025, bem como com a proposta submetida pelo Instituto Politécnico de Leiria ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, ao evidenciar que a universidade constitui um fator decisivo de desenvolvimento económico, social e territorial, assumindo a futura universidade uma responsabilidade acrescida na consolidação da oferta doutoral, na intensificação da atividade científica e no aprofundamento da cooperação internacional”.
A criação da Universidade de Leiria e Oeste e da Universidade Técnica do Porto anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, quando em Leiria por ocasião das tempestades.