Portugal foi, durante largos meses, o único país da UE que não reportou dados sobre migrações. Ainda hoje, enquanto são escritas estas palavras, as tabelas do Eurostat têm esse vazio — mas não deverão ficar assim por muito tempo, uma vez que o problema foi finalmente resolvido.

Após uma longa polémica, num tema sensível, o Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu esta semana os números populacionais desde 2021, alterando de forma substancial os dados de residentes estrangeiros. São agora semelhantes aos da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), sanando uma disparidade que era gritante.

O INE acabou por mudar a metodologia na recolha de informação, complementando os dados por amostragem e inquéritos com números das escolas, da Segurança Social e das Finanças, entre outros. E, de repente, Portugal passa a ser um país de 11,5 milhões de pessoas.

A população residente estrangeira no país ascendia a 1,6 milhões no final de 2025, 14% da população — sensivelmente o dobro dos 7,1% registados em 2021 (quando havia 748 mil imigrantes).

Estes números confirmam ainda que o ritmo da imigração foi travado a fundo em 2025, na sequência das medidas restritivas do Governo, mas que, ainda assim, havia mais 59 mil do que no ano anterior. O pico foi registado no final de 2022 (326 mil pessoas), abrandando depois para 275 mil em 2023 e 188 mil em 2024 — ano em que o executivo acabou com a figura da “manifestação de interesse”.

O saldo das entradas e saídas de imigrantes foi de 849 mil em quatro anos. Sem imigração, a população teria diminuído em 141 mil.

Mas como é que Portugal se compara com a UE neste domínio? Ainda não é possível uma análise dos números europeus mais recentes, relativos a 31 de dezembro de 2025 (ou 1 de janeiro de 2026, na versão do Eurostat), mas os dados de anos anteriores confirmam que poucos países viram a imigração subir mais. Em três anos, entre 1 de janeiro de 2022 e 2025, os residentes estrangeiros aumentaram 105,6%, para 1,54 milhões, a quinta maior subida, segundo as contas do Jornal Económico. Apenas Lituânia (336%), Croácia (328%), Roménia (157%) e Bulgária (131%) tiveram mais.

Ao incluirmos a população total na equação, o crescimento português destaca-se ainda mais. Com 13,51% de imigrantes no final de 2024 (ou no início de 2025 para o Eurostat), foi o segundo em que a proporção mais subiu: um acréscimo de 6,45 pontos percentuais face aos 7,06% do final de 2021. Maior aumento só em Malta (+7,05 p.p.), cuja população tem agora quase um terço de estrangeiros (29,4%). A lista continua com Lituânia, Chéquia, Irlanda, Croácia e Estónia. Espanha é o 10º país em que essa proporção mais cresceu. França é o 16º.

No entanto, sendo certo que o crescimento da imigração em Portugal foi acelerado, há ou não uma maior proporção de imigrantes do que nos parceiros europeus? Poderia pensar-se que também aqui Portugal estaria no topo do ranking, mas fica em 10.º lugar, segundo as contas do Jornal Económico.

Antes da pandemia, entre 2016 e 2019, Portugal esteve sempre no 20.º lugar, evoluindo depois de forma progressiva: 19.º em 2020, 18.º em 2021 e 17.º em 2022. Só em 2023 é que houve um salto para a 12.ª posição e, a partir daí, voltou a ascender paulatinamente: 11.º em 2024 e 10.º a 1 de janeiro de 2025.

A tabela é naturalmente liderada pelo Luxemburgo (47% de imigrantes), seguido de Malta (29,4%), Chipre (24,8%), Áustria (20%), Estónia (17,9%), Irlanda (16,1%), Alemanha (14,8%), Espanha (14,1%), Bélgica (14%) e Portugal. França está em 14.º (9,4%), seguida por Itália (9,1%), enquanto a Grécia ocupa o 20.º lugar. Os países que menos imigrantes acolhiam eram a Roménia, a Eslováquia e a Polónia (todos entre 1,2% e 1,9%).

Em termos absolutos, Alemanha, Espanha e França tinham, em conjunto, 25 milhões de imigrantes, mais do que os restantes 24 Estados-membros somados (19,5 milhões). Não havendo revisões adicionais de outros países, a UE acolhia, no início de 2025, 45 milhões de imigrantes (incluindo os de outros Estados-membros), ou seja, 10% da população.