O ING chegou a acordo para adquirir uma participação de 40% no Singular Bank, passando a liderar o novo grupo de acionistas da instituição espanhola de banca privada fundada por Javier Marín, antigo administrador-delegado do Santander. A informação foi avançada esta segunda-feira pelo jornal espanhol Cinco Días e confirmada pelo banco neerlandês em comunicado.
De acordo com o Cinco Días, o ING não ficará com uma posição maioritária, mas tornar-se-á o maior acionista do banco, numa operação que reforça a sua estratégia de expansão no segmento de clientes de elevado património em Espanha.
O restante capital ficará distribuído entre a equipa de gestão liderada por Javier Marín, que aumenta a sua participação para 15,5%, o fundo espanhol de private equity ProA Capital, com 15%, o banco mexicano Actinver, com 8%, e um grupo de famílias empresariais e investidores, que deterá os restantes 21%. Entre estes encontram-se o investidor hispano-indiano Bhavnani, a família Ruiz Lafita, acionista da Azkoyen, e a família Comenge, acionista da engarrafadora da Coca-Cola em Espanha.
O Singular Bank nasceu da aquisição da unidade de banca digital da Société Générale em Espanha, o Self Bank, e reforçou significativamente a sua posição no mercado em 2021, ao comprar o negócio de banca privada do UBS em Espanha por cerca de 200 milhões de euros.
Segundo o Cinco Días, o acordo prevê que Javier Marín e a atual equipa de gestão permaneçam à frente do Singular Bank, mantendo a marca, a independência operacional e uma oferta de produtos distinta da do ING. Ainda assim, o banco neerlandês refere que foram estabelecidos mecanismos que poderão permitir-lhe aumentar a sua participação acionista no futuro.
A operação enquadra-se na estratégia do ING para reforçar a sua presença na banca privada e na banca de empresas em Espanha. O banco holandês pretende lançar a sua oferta para clientes de elevado património após o verão e entrar no segmento empresarial durante o próximo ano, contando já com uma equipa de cerca de duas dezenas de banqueiros dedicados à banca privada.
O interesse do ING pelo Singular Bank não é recente. Segundo o Cinco Días, a instituição participou no processo de venda conduzido pelo anterior acionista, o fundo Warburg Pincus, assessorado pelo banco de investimento Jefferies. A disputa terá atraído também interessados como o Abanca e o italiano Intesa Sanpaolo, mas o ING assumiu a posição de favorito nas últimas semanas.
Segundo o jornal espanhol, o banco gere atualmente cerca de 19 mil milhões de euros em ativos de clientes. No primeiro semestre de 2025, registou um lucro líquido recorrente de 4,1 milhões de euros, face aos 200 mil euros obtidos no mesmo período do ano anterior. As receitas cresceram 15% em termos homólogos, enquanto os custos operacionais aumentaram 5%, apresentando um rácio de capital CET1 de 20,02%.