A empresa israelita de tecnologia de defesa XTEND e a norte-americana JFB Construction Holdings, cotada no Nasdaq, anunciaram uma fusão avaliada em 1,5 mil milhões de dólares, que criará a XTEND AI Robotics, uma nova empresa de capital aberto focada em sistemas autónomos com inteligência artificial (IA) para aplicações de defesa, segurança e segurança pública.

Liderada por Aviv Shapira, que tomará o lugar de CEO, engenheiro aeroespacial e empreendedor, a XTEND AI Robotics pretende expandir a capacidade de produção nos Estados Unidos e satisfazer a crescente procura naquele mercado, junto dos aliados da NATO e noutras nações parceiras, refere comunicado oficial.

Depois da conclusão da transação, prevista para breve e sujeita à aprovação regulatória e às condições habituais de encerramento do negócio, prevê-se que a empresa combinada seja negociada no Nasdaq sob o código ‘XTND’. A plataforma de software da XTEND, o Sistema Operacional XTEND (XOS), “permite aos operadores gerir múltiplos sistemas robóticos aéreos, terrestres e marítimos”.

De acordo com as empresas, prevê-se que os atuais acionistas da XTEND detenham aproximadamente 70% da empresa comum, enquanto os atuais acionistas da JFB deverão deter aproximadamente 30% numa base totalmente diluída, excluindo planos futuros de incentivo em ações.

Aviv Shapira é o CEO e cofundador da XTEND, líder global em sistemas autónomos guiados por humanos e impulsionados por inteligência artificial, que servem organizações de defesa, segurança nacional e segurança pública em todo o mundo.

Sob a sua liderança, a XTEND evoluiu para uma empresa de plataformas robóticas com operações em curso, com milhares de sistemas implementados a nível global e programas ativos em diversas regiões. Liderou o desenvolvimento da arquitetura da XTEND, focada no software e construída em torno do XOS, o sistema operativo propriedade da empresa, que permite sistemas autónomos escaláveis e prontos para a missão em ambientes complexos.

Shapira é engenheiro aeroespacial com experiência em engenharia de foguetões e sistemas espaciais. Antes de fundar a XTEND, criou e vendeu uma empresa à Intel, que se tornou a base da Intel Sports, e recebeu dois prémios Emmy para inovação tecnológica. A XTEND é a sua quarta startup, “refletindo o seu foco contínuo em construir e escalar empresas tecnológicas inovadoras”, refere o comunicado.

Recorde-se que a XTEND é acusada de estar ligada à mortalidade que o exército israelita perpetrou em Gaza: a empresa forneceu drones com o sistema XOS às Forças de Defesa de Israel (IDF), uma tecnologia avançada de inteligência artificial que permitiu aos soldados operarem frotas de aeronaves à distância usando óculos de realidade virtual. Estes aparelhos tornaram-se cruciais no combate urbano na Faixa de Gaza, sendo utilizados para mapear túneis, invadir edifícios e realizar ataques. Foi um drone da XTEND que localizou o líder do Hamas, Yahya Sinwar, antes da sua morte.

A controvérsia adensou-se quando a XTEND comercializou as suas tecnologias como “testadas em combate” em Gaza para garantir contratos militares lucrativos com o Pentágono. Organizações de direitos humanos denunciam o uso de quadricópteros armados para vigilância intrusiva e ataques que vitimaram civis, médicos e jornalistas. O governo israelita e a própria XTEND defendem que a IA salva a vida de soldados em zonas de perigo.