O presidente do Conselho de Administração do Abanca, Juan Carlos Escotet, foi questionado pelos jornalistas, na conferência de imprensa dos resultados do primeiro semestre, que se realizou esta segunda-feira em Santiago de Compostela, sobre os programas do Banco Central Europeu e do Governo português para favorecer o crédito à habitação para jovens. Na resposta o banqueiro defendeu as medidas. “Apoiamos esses programas que nos parecem uma iniciativa magnífica”, disse Juan Carlos Escotet.

“É verdade que ainda não estamos a assistir à procura que esperávamos. Essa procura tem vindo a melhorar de forma gradual, mas provavelmente ainda lhe falta alguma intensidade. Isso, no entanto, está muito longe de significar que tenhamos uma política de redução do volume de crédito em Portugal. Sempre que exista procura compatível com a nossa política de risco, estaremos disponíveis para conceder crédito. Essa continua a ser uma prioridade e a melhor forma de defender a margem financeira, sobretudo num contexto de descida das taxas de juro”, acrescentou o presidente do Abanca.

O Abanca Portugal fechou o primeiro semestre de 2026 com um lucro (atribuído) de 41,6 milhões de euros, mais 11,9% do que no período homólogo, sustentado pela subida das comissões e pela redução dos custos operacionais, apesar da quebra da margem financeira.

Após a integração do EuroBic, a operação portuguesa passou a assumir um peso crescente no Grupo Abanca, representando já 17% das receitas globais, com o banco a apontar como objetivo elevar essa contribuição para 20% do volume de negócios e dos resultados consolidados através de crescimento orgânico.

Segundo o banco, o volume de negócios ascendeu a 21.025 milhões de euros no final de junho, acima dos 20.445 milhões contabilizados no final do primeiro trimestre, enquanto as novas operações de crédito a particulares e empresas ultrapassaram os 3.000 milhões de euros. Desde o início do ano, o banco captou mais de 10.000 novos clientes. A qualidade dos ativos manteve-se sólida, com o rácio de crédito malparado (NPL) fixado em 2,1% e uma taxa de cobertura de imparidades de 88,9%.

No primeiro semestre de 2026, o resultado antes de impostos do Abanca Portugal aumentou 25,7% em termos homólogos, para 62,6 milhões de euros, face aos 49,8 milhões registados um ano antes.

Interessado no Banco CTT? “Prioridade, neste momento, está em impulsionar o crescimento orgânico”

Já questionado sobre se, em Portugal, estão a considerar realizar mais aquisições, tendo em conta que existe atualmente um banco de menor dimensão à venda — o Banco CTT, o banqueiro explicou que “não, não estamos envolvidos nesse processo”.

“Como tenho vindo a referir, a nossa prioridade nesta fase passa pelo crescimento orgânico. Naturalmente, Portugal é um mercado estratégico para o grupo e, caso surjam oportunidades que acrescentem valor e sejam complementares ao nosso modelo de negócio, iremos analisá-las. No entanto, o foco está, neste momento, na consolidação da integração do EuroBic. Já concluímos a componente tecnológica desse processo e começamos a observar uma dinâmica de crescimento muito interessante, pelo que a nossa atenção está centrada em potenciar esse desenvolvimento”, referiu Juan Carlos Escotet.

“Dos 10 mil milhões de crescimento de novo crédito no primeiro semestre, Portugal representa 32%, mais de 3 mil milhões. Ou seja, se compararmos com as quotas de mercado — ou melhor, com o peso e o volume de negócio de todo o banco — Portugal está a crescer melhor do que Espanha, apesar de este último ser também um número magnífico. O crescimento em Portugal está a resultar melhor do que em Espanha. Ou seja, ambos são muito bons, mas o de Portugal é ainda melhor”, acrescentou.

O banqueiro foi ainda questionado sobre uma declaração sua recente de que, atualmente, a possibilidade de comprar entidades em Espanha e Portugal não era tão viável como noutros mercados, por estarem caras.

Juan Carlos Escotet, na resposta, disse que enfoque do plano estratégico agora está mais focado no crescimento orgânico. Mas não descarta novas aquisições se surgirem oportunidades que complementem a atividade do grupo Abanca.

“Sobre novas compras, no nosso enfoque, como sabem, seguimos a melhor prática bancária, combinando crescimento orgânico com crescimento inorgânico. Fizemos um processo de 10 operações ao longo destes últimos 11 anos. A verdade é que, neste momento, o mercado mudou de forma considerável — os preços das instituições subiram, precisamente como resultado das melhorias nos mercados de capitais”, explicou o Chairman do Abanca.

Acrescentando que “estamos sempre a analisar o mercado, isso faz parte do nosso ADN, e estamos muito atentos a possíveis novas oportunidades, mas não vemos, no horizonte de médio prazo, que possam surgir novas operações. O nosso enfoque está, neste momento, muito mais orientado para o crescimento orgânico. O primeiro semestre vai claramente nessa direção e é aí que vamos concentrar o maior esforço. Não vemos alternativas disponíveis atualmente no mercado, e o processo das nossas integrações dá-nos agora capacidade para continuar a aproveitar não só o desenvolvimento de novos negócios, mas também a materialização de um conjunto de sinergias que nos permitam melhorar consideravelmente a eficiência”.

B100 sem data para abrir em Portugal

“Eu acho que a aposta pelo B100 tem todo um sentido estratégico, é parte de nossas prioridades”, afirmou Escotet.

Sobre o B100, banco 100% digital do Abanca, a administração explicou que “está a bater os seus objetivos estratégicos: o número de clientes já está acima dos 136 mil, o que consideramos um número muito bom, e em termos de volume de negócio já estamos acima dos 400 milhões, superando também os objetivos inicialmente estabelecidos. Acredito que a aposta no B100 tem todo o sentido estratégico, faz parte das nossas prioridades e vamos continuar a esforçar-nos por disponibilizar um maior leque de produtos, tornando a empresa mais competitiva, aproveitando também a tendência dos mercados internacionais no crescimento do negócio. Acredito que este B100 tem capacidade para competir”, referiu Juan Carlos Escotet.

O Abanca reportou que o banco digital continua a crescer multiplicando por 1,6 o seu volume de negócio e duplicando o número de clientes. O B100 prossegue o alargamento da sua oferta de produtos com o lançamento da contratação e gestão de fundos de investimento através da aplicação móvel e de um novo produto, o Empréstimo B100, que vem reforçar a oferta de financiamento, juntamente com o cartão de crédito Pay to Save Plus. “O carácter diferenciador do B100, assente no cuidado com a saúde financeira, pessoal e do planeta, combina uma experiência de utilização inovadora com benefícios ambientais e sociais”, explica o grupo.

Questionado pelo Jornal Económico fonte oficial do Abanca disse que não há para já planos para abrir o B100 em Portugal. “Neste momento não está previsto”, refere o Abanca.

O Abanca realçou hoje em conferência de imprensa, o seu posicionamento na linha da frente do processo de criação do ecossistema de dinheiro digital seguro. O banco participa na Qivalis para o lançamento de uma ferramenta financeira europeia, independente, fiável e aberta a cidadãos e empresas (stablecoin). Além disso, foi selecionado pelo Eurosistema para participar no projeto-piloto de desenvolvimento do euro digital.