Os líderes empresariais andam escondidos. Ocultam o que pensam, parecem não existir sequer nos assuntos que dizem respeito às suas empresas e negócios. Por vezes, nem na apresentação de resultados anuais dão a cara: publicam um comunicado anódino e imprestável, cinzento e redondo, copy paste do texto do ano anterior, com ligeiríssimas e burocráticas alterações. Os mais afoitos ainda aparecem de raspão, mas só dizem platitudes, não querem correr o risco de indispor alguém ou incomodar a turba das redes sociais. O silêncio, julgam eles, protege-os da inveja corrosiva que os cerca. Num país normal, a reforma da lei laboral teria levado estes líderes empresariais a aparecer para defender ou criticar a iniciativa do Governo – ou uma mistura das duas.

O fim do visto prévio do Tribunal de Contas e a alteração das regras de contratação pública também seriam momentos de afirmação natural do poder económico. Seria normal ouvir o que ele pensa, como vê o país, como o gostaria de mudar. Em vez disso: silêncio quase absoluto, exceção feita às organizações patronais, que têm de assumir toda a despesa da conversa, como se vê com a liderança de Armindo Monteiro (CIP). Na verdade, até várias destas organizações patronais parecem não se incomodar demasiado com nada em concreto, nem sequer parecem estar bem informadas. Participam nas reuniões com os sindicatos e o Governo, mas sem genuíno empenho ou qualquer contributo útil. Vivemos num país marcado pelo ruído partidário que se multiplica através do TikTok e semelhantes, mas não há verdadeiro debate nacional sobre quase nada.

Os atores desertaram, demitiram-se desta obrigação social e política. Profundidade de análise, originada pelos protagonistas e sustentada por exemplos que falam por si, isso há muito que deixou de haver. Alguém imagina esta pobreza com Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos ou o gestor Fernando Ulrich? Sem este contributo – legitimamente interessado – fica tudo mais difícil de fazer e mudar no país. Ganha o statu quo. Os novos líderes são frágeis (por escolha própria) e as suas empresas também o são. Não existem para além de Excel. Um dia vão perceber como se tornaram demasido vulneráveis – eles e os seus negócios.