O deputado do Livre, Paulo Muacho, considerou hoje que esta “talvez não seja a melhor altura” para substituir um ministro da Administração Interna, por ser época de incêndios, que exige alguém concentrado no combate aos fogos.

Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, Paulo Muacho argumentou que “nenhuma das questões que foi levantada [sobre Luís Neves] no fundo diz respeito diretamente à competência do ministro para liderar a área da Administração Interna durante este período de fogos”.

“Eu percebo que haja quem queira utilizar esta questão para ganhos políticos, para ocupar espaço mediático, mas não é a altura de o fazer. Neste momento, nós temos incêndios ativos no nosso país, precisamos de ter alguém que esteja concentrado no combate a esses fogos e a esses incêndios. E, portanto, entendemos que o ministro da Administração Interna deverá continuar, enquanto o primeiro-ministro assim entender que ele tem condições”, acrescentou.

Quanto às condições de Luís Neves para se manter no cargo, o deputado do Livre defendeu que é fundamental a análise da documentação que o ministro levou para a conferência de imprensa de hoje, para se saber “se corresponde ou não àquilo que o ministro disse publicamente”.

Para o Livre, não basta “ouvir conferências de imprensa” quando estão em causa “matérias que implicam suporte documental”.

“Nós, sem fazermos essa análise da documentação, sem percebermos efetivamente se aquilo que está lá corresponde àquilo que o senhor ministro nos disse, não faremos nenhuma avaliação sobre a continuação do ministro ou não no cargo, porque parece-nos que isso é precipitado”, justificou.

Por outro lado, a propósito da comissão parlamentar de inquérito anunciada pelo Chega sobre os mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ), Paulo Muacho desafiou o presidente deste partido, André Ventura, a divulgar os documentos que tenha na sua posse, por uma questão de transparência.

Sobre a conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, o deputado do Livre apontou como positivo que Luís Neves “tenha esclarecido parte das questões e que tenha explicado concretamente várias das matérias” e referiu que o ministro “terá oportunidade” de prestar mais esclarecimentos em audição parlamentar.

“Será uma oportunidade para esclarecer dúvidas que não estejam ainda esclarecidas de todos os grupos parlamentares e entendemos que, no fundo, a matéria deve terminar por aí”, afirmou.