O Presidente da República considera que as consequências do mau tempo que atingiu Portugal no início de 2026 exigem “que se acelerem apoios, se clarifiquem medidas” e se melhore a coordenação entre entidades no terreno. A declaração consta no relatório da Presidência Aberta na Zona Centro, realizada por António José Seguro entre 6 e 10 de abril, e divulgado este sábado pelo jornal Público.

No documento, o chefe de Estado alerta que “para muitas famílias, empresas e comunidades, esta crise ainda não terminou”. Segundo Seguro, “as consequências desta crise persistem e continuarão a persistir ao longo do tempo”, sendo necessário “continuar a vigilância sobre os apoios, sobre a reconstrução e sobre a capacidade do país para retirar deste episódio as conclusões e as lições necessárias”.

Durante a semana em que esteve no terreno e ouviu populações, autarcas e agentes económicos, o Presidente constatou que “o problema não se esgota no momento da destruição inicial”. Para ele, “o que aconteceu exige mais do que a reparação dos danos. Exige que se acelerem apoios, que se clarifiquem medidas, que se adequem respostas a realidades muito concretas, que se melhore a coordenação entre entidades, que se reforcem as infraestruturas críticas e que se corrijam vulnerabilidades acumuladas”.

O relatório, com quase cem páginas, inclui conclusões, prioridades e lições estratégicas para o futuro. Seguro defende que “a capacidade de improvisação, sendo valiosa, tem de ser acompanhada por melhor organização, melhor planeamento, maior preparação institucional e uma cultura mais sólida de responsabilidade e autoproteção”.

Entre as principais preocupações identificadas estão “a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras”.

O chefe de Estado enquadra o relatório como “um instrumento de trabalho”, destinado a “compreender o que correu bem, o que correu mal, o que permanece por resolver e o que deve mudar”. “Não basta responder à emergência. É necessário preparar melhor o futuro, com mais coordenação, mais prevenção e maior responsabilidade partilhada. E, sobretudo, porque não podemos permitir que esta experiência se encerre sem mudança”, reforça.

No capítulo dedicado à governação e coordenação, o documento alerta que os fenómenos extremos “não testaram apenas infraestruturas, empresas ou habitações”, mas também “a capacidade do Estado para coordenar, decidir, comunicar e agir num contexto de crise territorial multissetorial”. O relatório aponta “fragilidades no aviso, na comunicação, no comando e na coordenação, bem como insuficiente clareza de papéis”, destacando a resposta local como o aspeto mais positivo. “Vários responsáveis locais sublinharam a falta de interlocutores claros”, refere, e ao nível do executivo central, “a crítica principal não foi a ausência, mas a dificuldade em tornar clara a inter-relação entre medidas, critérios, calendários e responsabilidades”.