A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, esteve em Paris para defender o reforço das interligações elétricas entre a Península Ibérica e o resto da Europa, num encontro que juntou as homólogas de França e Espanha, Maud Bregeon e Sara Aagesen, e o comissário europeu Dan Jorgensen.

Portugal e Espanha defendem há mais de 20 anos um aumento da capacidade de interligação através dos Pirinéus, mas o desinteresse francês e os elevados custos têm atrasado os projetos. Atualmente, a interligação entre França e Espanha situa-se nos 3%, muito abaixo da meta europeia de 15% para 2030.

“Viemos reafirmar o interesse no processo”, disse a ministra, adiantando que haverá uma reunião técnica em setembro e que o tema estará nas agendas das cimeiras bilaterais. No encontro, Portugal e Espanha pediram “especial atenção à Comissão Europeia” no próximo orçamento da União Europeia para que as redes elétricas e interligações sejam uma prioridade.

Maria da Graça Carvalho destacou o progresso nacional: “Concluímos a 10.ª interligação entre Portugal e Espanha, atingindo os 15% recomendados para 2030 pela Comissão Europeia”. A ministra sublinhou que Portugal é “uma ilha do ponto de vista energético”, necessitando de “flexibilidade, armazenamento e resiliência da rede”.

Questionada sobre o apagão recente, a ministra esclareceu que “se Espanha tivesse uma ligação mais forte com França, teria demorado menos tempo e teria ajudado Portugal ainda mais cedo”. A recuperação do sistema, em 12 horas, foi considerada “boa para a dimensão do apagão”. O tema das interligações foi mencionado pela primeira vez numa cimeira bilateral em 2003, por Durão Barroso, e reiterado em 2015.