A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, garantiu esta quinta-feira ao Chega que está disponível para analisar a integração dos trabalhadores por turnos na reforma laboral em discussão no Parlamento. A garantia foi dada em resposta ao deputado Paulo Seco, que afirmou que a reforma dificilmente será aprovada se não valorizar cerca de um milhão de trabalhadores por turnos.
Durante o debate, a ministra negou ainda que a reforma leve a “um bar aberto de despedimentos”, como alegaram alguns partidos da oposição. “Fiquem tranquilos. Ao contrário do que vos quiseram convencer, não há nenhum corte dos direitos dos trabalhadores nesta reforma. Pelo contrário, eles são reforçados”, afirmou.
O líder do Chega, André Ventura, criticou a “cultura de que despedir é bom e é fácil” e defendeu a reintegração de trabalhadores despedidos ilicitamente. Insistiu ainda na necessidade de travar as alterações na licença de amamentação e repor os três dias de férias retirados pelo executivo de Passos Coelho durante a Troika.
No PS, Miguel Cabrita afirmou que as “linhas vermelhas do Chega são, afinal, muito laranjas e vão prejudicar a classe média, os jovens e os trabalhadores”, acusando o Governo de se juntar “à extrema-direita para atacar os mais pobres com a mesma receita da Troika”.
A ministra argumentou que a reforma laboral estava prevista no programa eleitoral e do Governo, bem como no acordo sobre valorização salarial e crescimento assinado pela UGT em 2024. Garantiu ainda que a reforma “não nasce de uma crença da ministra ou do Governo, mas de relatórios internacionais” da União Europeia, OCDE e FMI.
Maria do Rosário Ramalho defendeu que a reforma “traz os jovens para o mercado de trabalho, regula os impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho, concilia a vida familiar com o sucesso profissional, promove a igualdade entre mulheres e homens trabalhadores e aumenta, em muitíssimos casos, as compensações devidas ao trabalhador”.