O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou hoje um reforço na fronteira Sul do país, em resposta à crise migratória que se intensificou em Ceuta. No entanto, o governante fez questão de rejeitar qualquer tipo de “histeria” em torno da situação, apelando à calma e à ponderação.

“A crise migratória em Ceuta é grave, mas devemos dar uma palavra de maior tranquilidade”, afirmou Montenegro, em declarações aos jornalistas. O chefe do Executivo sublinhou que o Governo está a acompanhar a situação de perto e que já foram ativados os mecanismos necessários para garantir a segurança e o controlo nas fronteiras.

O anúncio surge depois de o partido Chega, liderado por André Ventura, ter defendido a suspensão do Acordo de Schengen, uma medida que Montenegro rejeita liminarmente. “Não vamos por aí. A suspensão de Schengen seria uma decisão desproporcionada e que não corresponde à realidade dos factos”, explicou.

Montenegro lembrou ainda que outros países, como a Itália, adotaram medidas semelhantes, mas considerou que cada caso deve ser analisado individualmente. “Não estamos perante uma situação que justifique medidas extremas. O que estamos a fazer é reforçar os meios humanos e técnicos na fronteira Sul, com um aumento de efetivos e de meios de vigilância”, detalhou.

O primeiro-ministro aproveitou para apelar à cooperação europeia e à solidariedade entre os Estados-membros. “É fundamental que a Europa responda de forma conjunta e coordenada a este desafio migratório. Não podemos agir sozinhos, mas também não podemos fechar os olhos à realidade”, concluiu.